O blog do escritor brasileiro.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

OS 12 MANDAMENTOS

1 – Ninguém nem nada é insubstituível, mas algumas pessoas e coisas são mais difíceis de substituir. 2 – A humanidade não é racional, portanto o mais racional para alguém é saber viver em um mundo irracional e tolo. A ovelha negra sempre morre primeiro, saiba como não nadar contra a corrente para evitar problemas. 3 – Viver por algo exterior é inútil, seja por pessoa querida, uma causa, uma ideia ou qualquer outra coisa, tudo isso certamente não passa de uma forma de compensar a insatisfação com a própria vida, o que não é necessariamente ruim. Alguém que tem na própria vida com todas as suas forças não precisa colocar suas forças em uma suposta causa externa, “viver em nome de Deus”, por exemplo. 4 – As aparências não enganam, a má interpretação delas sim. No geral, a aparência não mostra o caráter ou capacidade de ninguém, mas mostra os seus gostos, decisões e talvez a posição social, e tudo isso é importante. 5 – Siga o pressuposto de que tudo de ruim na sua vida é sua culpa, incluindo problemas de nascença como nascer favelado, feio e estúpido. Não busque fora de si a justificativa do que só interessa a você mesmo, não me importa sua desgraça e seu fracasso. Culpe a si mesmo e então aja para melhorar sua situação, os créditos do sucesso também serão seus, tudo o que conseguimos ou perdemos deve ser creditado ou cobrado apenas de nós mesmos. O nosso destino só depende de nós, o feliz não deve nada ao infeliz, não importa quão grande seja a diferença entre eles. Esse pensamento é a prova de coitadinhos e acomodados. 6 – Saiba a hora de cada coisa, o contexto é tudo, quem sabe se adaptar bem a cada contexto é bem aventurado. Há a noite do álcool, mas também há a reunião do trabalho, e ser você mesmo pode ser um problema no momento errado. Seja você, mas moldado de acordo com o ambiente para melhor adaptação. 7 – Não há bem e não há mal, certo ou errado, tudo é permitido, pois não existe nada eterno ou absoluto, nós construímos a moral, nós podemos destruí-la quando e como bem entendermos. 8 – Não há sentido para o universo, não há sentido para a vida, não existem respostas para nossas perguntas fundamentais, criemos nosso sentido pessoal então. Qualquer um tem completa liberdade para decidir o que faz sentido e o que não faz, a falta de sentido ou objetivo nos dá completa liberdade para decidir o que fazer ou não, sem medo de nada. 9 – O mundo não é justo, a vida não é justa, as pessoas podem ou não ser justas, quanto mais cedo você se acostumar com esse fato, melhor. A crueldade é uma consequência inevitável da natureza de nosso universo. O que vai pode voltar ou não, se queremos justiça, devemos fazê-la com nossas próprias mãos, nenhuma justiça divina irá se manifestar milagrosamente. Não pensemos que o “bem semeado” irá voltar em uma linda árvore, é uma possibilidade, mas só se aqueles que nós ajudamos forem agradecidos, é bem possível que que o só prejudica os outros seja cada vez mais feliz e mais bem-sucedido, e quem sempre se preocupa com os outros apenas sofra e afunde na misérias. Eis os infortúnios da virtude, não há justiça, só o acaso, as chances de um traficante e um voluntário morrerem com um raio são as mesmas. 10 – Impotência é o único pecado verdadeiro, nada é mais detestável que uma pessoa que não é capaz de agir pelo que deseja. Uma pessoa digna de pena também é digna de morrer. Mas quem sou eu pra falar de dignidade? Todos somos dignos da morte, só que alguns são mais dignos que outros. 11 – O intelecto não vale de nada quando não é usado para absolutamente nada, queridos intelectuais, me enoja ver a forma como vocês se acham superiores apesar de estarem no fundo do poço da cadeia alimentar da sociedade. Inteligência não é ter lido todos os livros do Immanuel Kant, inteligência é aprender com o que se vê, lê, ouve e se faz, e usar tais conhecimentos para proveito próprio. Claro, o conhecimento em si e sem prática possui valor, mas não deve ser usado apenas assim, pois é um desperdício, é como possuir um carro e não usá-lo para andar. 12 – A verdade imutável, a mais dura, a mais pura, a principal verdade e base de todo o universo é que nada importa, que o universo é completamente indiferente a nós. Nenhum ideal vale realmente a pena, as ideias morrem assim como as pessoas, nenhuma obra durará para sempre e eternizará seu perpetrador. O fim é inevitável. Por que não apreciar o presente e esquecer essas tolices de mundo perfeito, reino de Deus, comunismo, paz mundial e igualdade? Viver com indiferença a tudo exceto o seu próprio prazer é a forma mais racional de existência, mas todas são válidas, tudo é válido, absolutamente tudo, não existem regras, não existem limites. Só existe um fim, e esse fim é igual para todos nós, apenas o caminho para esse fim é igual, no final não faz diferença qual caminho nós escolhemos, mas enquanto estamos nele, é ele que importa. O meio independe do fim.

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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vendetta

V

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domingo, 3 de junho de 2012

O amor aos olhos da sabedoria.

Ao meu ver, um homem arrastado pelas suas paixões perde toda a capacidade de raciocinar, assim, passa a ser encarado como um ébrio, um demente. Fraco aquele que se deixa levar por amores e relacionamentos, possíveis ou impossíveis, os quais o levam à loucura. Hoje em dia a ficção e suas mentiras nos deixam confiantes e iludidos de que as paixões ideais, como nelas descritas, sejam possíveis, e isso é um crime contra a inteligência. Ora. Quem nunca se apaixonou desesperadamente a ponto de ser infeliz ao não poder satisfazer o vício do pensamento na pessoa amada? Nem eu poderia sequer falar que eu tive a sorte nunca sentir isso. O amor daquele que se ilude em uma paixão platônica só o deixa mais fraco, apreensível e inútil na sociedade em que vive, como um rato depressivo e choramingão, uma ovelha impotente e sem ação, um peso morto que só está vivo na teoria, mas que, por dentro, é estéril, vazio, cadavérico. Se não tivermos a consciência de que não vale a pena se apaixonar perdidamente por alguém, e que viver uma vida por outra pessoa que não seja o próprio eu é o maior dos erros, então seremos condenados ao fracasso e à completa infelicidade. Não vale à pena arriscar, pois é incrível ver como até o amor dito o mais intenso, o mais verdadeiro de todos, ainda assim desaparece rapidamente com o tempo se não lhe for dado atenção. Talvez não tão rápido em alguns casos, mas some, basta que desejemos e percebamos o quanto esse sentimento é enfraquecedor e descartável. Senhores, o amor que descrevem é apenas uma ilusão, como disseram, é uma forma de tornar os sofrimentos mais suportáveis, é, portanto, um entorpecente. O que é um entorpecente além de algo que se usa para fugir da realidade? Quem foge da realidade é porque é fraco demais para viver nela, por isso, se esconde dela, escapa de suas garras duras, essa é a característica do fraco, ele não suporta o mundo como é e precisa de um entorpecente para tornar sua existência menos angustiante, o entorpecente é uma ilusão, uma mentira à qual se prende para não cair de joelhos e desistir. Pode ser religião, pode ser o excesso de trabalho, uma ideologia estúpida, uma ficção, ou até mesmo o amor dito verdadeiro, mesmo se correspondido por ambos os lados, ele não deixa de ser uma forma de escapismo, pois é usado pelo fraco para disfarçar a suas outras frustrações. O forte, ao contrário, encara a realidade como ela realmente é, sem entorpecentes, sem ilusões, sem ídolos, esses ídolos do amor e do idealismo, o forte os destroça com o martelo da verdade, e na verdade vive, sentindo tudo como deve se sentir, usufruindo dos prazeres mais naturais que se pode sentir, e pisando em todos os obstáculos que fariam o fraco sofrer, mas que para esse indivíduo superior, não passam de degraus fáceis para se subir. E mesmo que não seja fácil subir, ainda assim subirá, com esforço e sem hesitar, sem uma única cogitação de fuga ou escapismo.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A VIDA E MORTE DA DEUSA NYX

Na região que hoje chamamos de Hélade, entre as primeiras tribos que dariam origem a Atenas, havia um casal de agricultores muito humildes, mas que viviam em condições muito dignas, tendo o bastante para se alimentar bem e viver de forma decente, ainda que tivessem que trabalhar duro na sua pequena propriedade de subsistência. A mulher ficou grávida quando já estava próxima de alcançar a menopausa, a notícia alegrou tanto o marido que ele matou sua melhor ovelha e fez um banquete que, para pessoas humildes como eles, chegava a ser suntuoso, convidaram todos os amigos que puderam e comeram em comemoração à criança que estava para nascer. A criança nasceu prematura com oito meses e a mãe lamentavelmente morreu durante o parto, que foi feito por uma famosa e respeitada parteira da aldeia, que no entanto não conseguira evitar o sangramento exagerado e inesperado da mulher. O pai chorou muito pela perda da mulher e jurou que cuidaria muito bem da criança, que foi batizada apenas poucas horas após o parto, Nyx seria seu nome. Nyx cresceu rápido, fisicamente mentalmente, com seis anos já sabia cozinhar e costurar perfeitamente, sempre ajudava o pai na plantação e também comia bastante em todas refeições. Era uma menina alta e vistosa, seus cabelos negros sempre cresciam muito rápido e no geral chegavam até próximo do bumbum, ondulados e brilhantes por natureza, combinando perfeitamente com os olhos ainda mais escuros, tinha um nariz um pouco grande, mas não havia uma só pessoa que não dissesse que ele ficava perfeito naquele rosto agudo que ela tinha. Ela se tornava cada vez mais o orgulho de seu pai a cada dia que se passava, era linda, prestativa, inteligente, obediente, todos os vizinhos gostavam dela, costumavam chamá-la carinhosamente de “Princesinha da Noite” por causa dos seus olhos negros que eram os mais profundos de toda a aldeia, e que pareciam de fato um pedaço do céu quando era noite sem estrelas ou outros astros que definem os destino dos homens na terra.
Com dez anos, já sabia fazer cerâmica perfeitamente, conhecia as técnicas de irrigação, conseguia andar à cavalo mesmo nos cavalos mais arredios, era um prodígio em qualquer atividade que tomasse à mão, sempre sorridente, sempre satisfeita, um primor de menina; no entanto seu maior talento se mostrava na arte, gostava de brincar com lama e barro quando não tinha o que fazer, um dia um proprietário vizinho a viu moldando uma ovelhinha com terra úmida e lhe disse que aquela brincadeira parecia muito promissora e que a menina podia ser uma ótima escultora. Depois do pai ficar sabendo do possível talento da filha, apoiou-a nessas atividades, primeiro pediu que Nyx fizesse uma escultura qualquer com uma porção de argila que ele deu. Deixou-a só para concluir o trabalho e voltou poucas horas depois, a criança tinha esculpido a si mesma, não era uma escultura renascentista, não era a obra de um Michelangelo e nem de um Rodin, no entanto era uma figura humana com proporções quase fiéis, e em que os traços dela podiam ser facilmente distinguidos, ainda que de forma um tanto caricata, uma estatueta de um palmo de altura e feita em duas horas. O pai ficou animado, Nyx poderia conseguir trocar seus trabalhos de arte por produtos com outros aldeões, não havia dinheiro naquele lugar, mas as pessoas naturalmente faziam trocas de excedentes como em qualquer lugar em não se encontra moeda. A jovenzinha gostava além de brincar de esculpir nos seus tempos livres, que não eram nem escassos e nem abundantes, de brincar com as outras crianças, era bem sociável e gostava de correr atrás dos outros e fazer todos aqueles tipos de brincadeiras bobas porém sinceramente alegres que as crianças gostam de fazer entre si. Tinha muitos amigos e muitos admiradores desde pequena, teve seu primeiro beijo com oito anos com um rapazinho órfão que trabalhava para um agricultor que abundava mais de propriedades que seu pai, sabia que pelo menos oito meninos da tribo eram apaixonados por ela, e, por isso, começava a criar em si mesma um certo orgulho, gostava de si mesma. Ela e seu pai conseguiram mais terras com o passar dos meses, seu pai conseguiu trocar seus trabalhos de artesanato com gente de outras aldeias, ele começava a se aproveitar de práticas comerciais que não eram comuns naquele lugarzinho pacato, não deixava de ser um visionário por isso. Aos doze, Nyx já chegava na idade de se casar, seu pai, nada severo e muito liberal, permitiu que ela escolhesse com quem se casaria. Foram pelo menos trinta candidatos à pequena terra deles, entre os pretendentes havia homens de todas as idades, desde oito, até oitenta anos, literalmente. Cada um se apresentou de forma respeitosa e formal diante da menina, explicando as origens familiares, a ocupação, os feitos, os bens e as intenções. Nyx se interessou por um rapaz de vinte anos que era filho de um proprietário um pouco mais rico que seu pai, esse rapaz era baixo para sua idade, bem encorpado, com cabelos loiros e cacheados, trabalhava na fazenda do pai e dizia ser um exímio cavaleiro. É difícil dizer se escolheu aquele rapaz, chamado Hércules, por causa da aparência ou das outras qualidades, é mais possível que tenha sido pela primeira opção, mas está é uma dúvida que nem Nyx poderia responder completamente consciente da sua resposta. Talvez também tenha sido pela forma como Hércules a olhava, seus olhos ardiam com um desejo intenso como se estivessem prestes a explodir, se ele explodisse, se jogaria nos braços dela e diria coisas de amor, não só naquele momento, mas nos poucos encontros que tiveram antes. Hércules era um dos habitantes que menos contato havia tido com Nyx, pois seu pai era severo e não lhe deixava quase nenhum tempo livre, ele não a conhecia bem, mas muitas vezes a observara de longe enquanto os dois trabalhavam, cada um do seu lado, de uma terra a outra havia considerável distância, contudo podiam ver a silhueta reduzida um do outro, às vezes. Chegaram antes a se encontrar algumas vezes em comemorações e eventos comunitários, então conversavam timidamente e trocavam olhares inocentes, desde sempre havia existido simpatia de um para o outro, Hércules era um pouco tímido, e mesmo que Nyx fosse muito mais nova que ele, era ela quem tinha a iniciativa e puxava assunto.
Se casaram apenas duas semanas depois e se lançaram à noite de núpcias, inflamada, apaixonada e ardente; enquanto eles enlouqueciam sobre a cama primitiva em que trocavam as mais lascivas carícias e contatos, os pais negociavam de serem sócios.
Nyx foi morar na casa do pai de Hércules, visitava o pai todos os dias, eram quase vizinhos mesmo, não havia desculpa para não fazê-lo. Daqueles doze anos até sua formação como adulta, Nyx cresceu de forma acelerada e alcançou uma surpreendente exuberância física, não era simplesmente bonita, pois não era tão incrivelmente bela no sentido literal da palavra, sua exuberância se tratava mais de uma espécie de imponência das formas perfeitamente equilibradas que se distribuíam por seu enorme corpo e principalmente por seus olhos noturnos, um tanto grandes, que fascinavam com um incomum mistério qualquer um que os fitasse mesmo que por um único instante. Além disso, Nyx parecia incansável, com o passar das décadas pode-se constatar que ela, além de manter sempre uma juventude admirável em suas feições, nunca nem engordava nem emagrecia, mantendo sempre o seu corpo esbelto. De fato, mesmo aos quarenta anos ainda parecia ter vinte e cinto, com suas formas sempre elevadas e rígidas, saudável como uma rocha, tinha tudo que se poderia pedir aos deuses.
No entanto, mesmo que Nyx parecesse ser perfeita em todos os sentido, havia algo que ela desejava mais do que tudo, um segredo que nunca havia escondido de ninguém e deixava sua alma ávida desde sua infância: queria ser mãe. Um filho era o que mais desejava, era fiel e queria que seu forte Hércules lhe desse um fruto, uma continuação de sua linhagem, ela tinha muita estima por si mesma e não podia aceitar que sua existência se apagasse de vez após a morte, não, queria um descendente. Mas todos esses esforços do casal foram em vã, em dezoito anos de casada, Nyx não engravidou, mesmo tento apelado tantas vezes em orações à Grande Deusa Gaia e ter mesmo realizado várias mandingas e simpatias primordiais que evocariam a fertilidade. Já desesperada chegou à conclusão de que a culpa era toda de Hércules, que ele era incompetente demais para conseguir dá-la uma criança, isso fez com que começasse a antipatizar com o marido, até odiá-lo, então passou a traí-lo com toda a frequência, acreditando que assim conseguiria que outro lhe engravidasse. Cinco anos de libertinagem bem debaixo do nariz do marido, ela era discreta, ele era um sonso e confiava cegamente na esposa, o próprio Hércules se sentia muito frustrado por não ter nenhum descendente, mas não podia imaginar as consequência de revolta que o mesmo mal causava a sua esposa. Nada de filho, Nyx então terminou de se desesperar chegando à conclusão de ela era estéril e incapaz de gerar um filho, essa conclusão parecia completamente lógica e verdadeira, especialmente quando se lembrava da dificuldade com a qual havia sido ela mesma concebida. Toda a inteligência excepcional, a beleza, a saúde, o talento artístico e a riqueza das duas famílias unidas que cada vez mais, de forma muito acelerada, crescia com a excelente administração de Hércules(que já estava à frente dos negócios, e o apoio dela, que inegavelmente era uma mulher formidável), tudo isso parecia não ter nenhum valor a ela, absolutamente nada. Teria trocado todas essas graças por um rebento, uma criança que saísse de seu ventre, mesmo que fosse coxo, mirrado, imbecil, ainda assim valeria mais para Nyx do que todo o resto, ela não suportava olhar tantas mulheres que andavam com seus filhos, amamentavam, pais que ensinavam suas crianças a trabalhar, era uma pena terrível ver. Cada pequeno que passava diante de seus olhos, mesmo que de longe, era um visão insuportável e odiosa, despertava-lhe as piores emoções e tornava sua vida amarga e infeliz, sentia inveja, uma inveja insuportável de todos. Observava como até as mulheres mais pobres, mais estúpidas e feias tinham seus menininhos e menininhas, todas aquelas que lhe pareciam dignas talvez até mesmo de desprezo, absolutamente todas tinham filhos, as velhas horrorosas, as mães solteiras, sem exceções. Então... Então por que ela, que era melhor que qualquer uma daquelas fracassadas, não podia ter seu filho? Por que logo ela, Nyx, que tinha um sangue muito mais altivo e nobre que qualquer outras, cujas qualidades fariam a melhor diferença na terra, por que logo ela era seca como a terra de um deserto do Egito? Por que? Essa ideia a mergulhava em um mar horrendo de rancor e inveja, seu olhar se tornou uma praga, pois não podia deixar de olhar um rapazinho sem pensar: “Que ele morra, que a mãe dele sofra por não ter nenhum pedacinho seu deixado no mundo”.
Essa inveja corroeu sua alma, aquela menina alegre, doce, simpática e muito amável foi se transformando em uma invejosa recalcada, que desejava mal a todos, infeliz, grossa, antipática e... estéril de bons sentimentos. Essa transformação infeliz não aconteceu de um dia para o outro, mas através dos anos, até antes de completar trinta anos, Nyx ainda era feliz e uma boa pessoa, ainda que ficasse magoada por não ter ainda um filho, ainda era querida por todos e mantinha o apelido carinho de Princesinha da Noite. Quando a esperança foi se desvanecendo, a infelicidade a inveja foram envenenando-a de forma mais acelerada e vil, até que com a certeza da esterilidade, tudo que havia de bom em seu coração foi enterrado junto com a esperança de uma criança.
Em manto de frustração dedicou sua vida a partir dos trinta e cinco a estudar as propriedades das ervas que podia encontrar na natureza, se tornou uma espécie de bruxa, não, de fato se tornou uma bruxa. Primeiro buscou conhecer curas através das ervas e das poções, tentou criar uma cura para a própria esterilidade, como falhou, voltou ao caminho ao qual a inveja lhe conduzia. O que é a inveja se não o sentimento de, ou ter a alegria que os outros tem, ou impor seu sofrimento a eles? Sabendo que não poderia afinal ter o bem que cobiçava e que suas vizinhas tinham, um filho, então se viu obrigada a seguir definitivamente a segunda opção, tendo seu maior prazer no sofrimento dos outros, em vê-los reduzidos à mesma miséria em que ela se encontrava. Não se contentou em desejar o mal, seguiu a carreira de bruxa com muito empenho e descobriu como criar venenos e entorpecentes muito eficazes. Não conseguia, por mais inteligente e perspicaz que fosse, descobrir a cura da sua esterilidade (e deve-se admitir que seria admirável que conseguisse levando em conta que Nyx vivia antes do século X a.C), no entanto os seus venenos e poções más eram perfeitas, testava os venenos em pequenos animais, galinhas e coelhos. Quando achou ter criado um mais forte, testou-o uma ovelha da propriedade do marido, o bicho morreu em poucos minutos, e Nyx, ainda não contente, tratou de oferecer a carne da ovelha para uma jovem da aldeia que atualmente estava grávida, dizendo que era um presente em homenagem à agraciada gravidez. E todos pensavam que as pesquisas de Nyx, suas idas à floresta, seu recolhimento solitário e misterioso no celeiro que fazia de liberdade eram no intuito de descobrir de remédios naturais, o que não era de todo mentira, já que ela havia realmente descoberto poções entorpecentes para dor e outras que combatiam o sintoma da febre e constipação. Por seus estranhos costumes e a grosseria que passou a levar nos lábios a todo momento, seu nome de Princesinha da Noite não demorou para se transformar em Bruxa da Noite. A grávida, seu marido e o primogênito adoeceram após comer a carne da ovelha envenenada, morreram algumas noites depois sofrendo com muita febre; Nyx recebeu a notícia e se fez de muito triste, enquanto por dentro sorria e gargalhava de felicidade, a sua fórmula mortal funcionava bem mesmo em pequenas doses distribuídas na carne de um animal.
Nyx praticamente enlouqueceu, a frustração e a inveja destruíram toda a sua sanidade e o seu equilíbrio mental; à noite saiu escondida pela aldeia, envenenava os animais, as plantações, distribuía a sua toxina por toda a parte, tornou-se uma secreta semeadora de morte e doença, fazia esse trabalho mau com o mais completo cuidado e silêncio, sem ser percebida, deslizando como uma sombra na escuridão. Naturalmente, as pessoas começaram a ficar doentes na tribo de Nyx, um surto terrível de febres terríveis que terminavam em morte assolou aquele povo, que ficou assombrado e queimou muitos animais em sacrifício à deusa Gaia, acreditando que talvez aquilo fosse uma praga por terem deixado a fé um tanto de lado. A moléstia continuou se espalhando, muitos morriam, outros ficavam gravemente enfermos e chegavam perto de perderem a vida, alguns de menos azar apenas passavam mal, vomitavam, ficavam um pouco febris. O desespero corria solto naquela vila, o que os habitantes começaram a perceber de estranho é que só havia duas famílias que não haviam sido atingidas pela misteriosa epidemia, essas eram a família de Nyx e a de Hércules. Com tal observação, chegaram à conclusão de que um dos membros dessa famílias seria o causador da epidemia, não tiveram que pensar muito para perceber que só a Bruxa seria capaz de criar algo assim. O fato é que naqueles dias terríveis de tragédia e miséria, ela era a única em toda a comunidade que parecia sempre bem-humorada, feliz, rindo pelos cantos, ela não podia conter a felicidade que sentia em ver a desgraça que se abatia sobre todos de quem tinha inveja, já sequer precisava sentir inveja, os filhos das outras morriam junto com suas mães e suas famílias inteiras. Os sorrisinhos pelos cantos de Nyx não deixaram que houvesse outra suspeita de culpa. Uma multidão foi até sua casa e exigiu que ela se explicasse, Nyx teve a chance de negar, mas a desconsideração que tinha pela sua própria vida infeliz e o prazer que sentia em ver o desgosto e o sofrimento daquelas pessoas havia sido tão grande que admitiu seu crime às gargalhadas. Hércules ficou horrorizado ao descobrir e não se opôs quando condenaram Nyx a beber do próprio veneno (não sem antes ser violentamente linchada pela multidão, mas não até a morte). Ela bebeu rindo, e suas últimas palavras quando já agonizava foram:
- Que vocês todos vivam, mas que vivam vidas tão infelizes e miseráveis que sejam forçados a invejar os mortos, eu estarei morta, invejem-me, desgraçados.
E morreu.
Do outro lado da vida tudo era diferente, era sua primeira vida e morte, não conhecia nada do lugar onde foi atirada, sua esclera branca agora era amarela e formava uma combinação assombrosa com a pupila negra. Era o Abismo dos Condenados, o local onde os espíritos condenados pelos próprios maus sentimentos, fraqueza e ignorância acabam, Nyx se arrastava naquele mar de gente caída, sentia-se fraca e angustiada, como se ainda sentisse a dor do veneno destruindo o seu organismo. Se desesperou completamente, não tinha fé na vida após a morte desde que se tornara amarga em seu infeliz coração não-materno. Ficou se arrastando por um tempo, completamente confusa, a dor sumia aos poucos e era substituída por um tormento novo, era uma tristeza profunda que dilacerava sua alma completamente, gelava-a com os piores sentimentos que podem prover da felicidade, era uma tristeza que a esfriava por dentro e fazia com que se sentisse a mais desafortunada entre todos aqueles miseráveis que encontravam naquele abominável abismo. Não podia explicar sua tristeza, não era como quando estava viva, não sofria por inveja dos outros, ao contrário, tinha inveja dos outros por ver que por maior que o sofrimento deles fosse grande, não podia se comparar ao dela. Nyx não sentia nada além daquela tristeza, nem alegria, nem medo, nem raiva, aquele era o sentimento inerente a ela. Porém, o sentimento de inveja já era inerente a Nyx desde sua vida, não era diferente agora, tudo que ela queria era dividir aquela angústia com os outros espíritos que se encontravam com ela, por isso ela lançou um braço de energia de seu corpo e puxou para si um infeliz que se encontrava colado nela, ele foi absorvido pelo seu corpo como o pó que se dissolve na água. Foi nesse instante que Nyx percebeu sua habilidade, sentiu um prazer imenso com aquele ato, ficando um pouco aliviada da sua tristeza. Repetiu o processo com mais vinte e poucos condenados e já sentiu que a tristeza sumia completamente, não se sentia mal, se sentia poderosa e como se não tivesse nada a invejar, como se fosse a mais feliz das criaturas. A cada espírito que absorvia, se sentia mais forte e segura de si, não à toa, pois os poderes de cada um de suas vítimas se tornavam seus, ela devorava suas forças e sua energia.
Se teletransportou de lá, estava aprendendo fácil a viver no mundo dos mortos. Foi parar em um local conhecido como Rochosa Aldeia, já não mais existente nos dias de hoje. O motivo: Nyx viu lá os espíritos felizes, diferentemente dos do Abismo, isso provocou em seu coração novamente aquela tristeza devastadora de antes, e, invejando a felicidade dos habitantes da aldeia, ela massacrou um a um com seu poder. Já tinha consciência do que acontecia quando fazia aquelas absorções, sabia que as presas se tornavam parte dela e suas habilidades, conhecimentos e um pouco de suas emoções também passavam a ser dela, porém a vida e a consciência deles desaparecia realmente além do véu eterno da morte, tendo apenas seus atributos preservados. Testou suas novas armas recém-adquiridas, viu que já podia atirar fogo, controlar a terra, criar miragens simples; ficou muito feliz e foi para outro lugar. O processo se repetiu, Nyx varreu muitas cidadezinhas do mapa, pois cada vez que via uma pessoa feliz, sentia inveja, e então a absorvia, cobiçando absorver aquela felicidade para si mesmo. De fato, funcionava, mas era só ver outra que de novo a inveja e a tristeza a tomavam novamente por assalto, assim ela cobiçava toda a felicidade do mundo e não aceitava que ninguém mais estivesse bem além dela, essa cobiça doentia causou muitas centenas de mortes. Além de invejar a felicidade, ela também invejava quando via outros espíritos mais fortes que ela, como isso até aquele momento não tinha acontecido, por ela ser extremamente forte, ainda não sabia disso, porém descobriu quando foi até o Círculo da Luxúria, foi lá que tudo mudou. Felicidade e força, tudo que Nyx cobiçava para si, apenas duas coisas, mas que ela desejava infinitamente e de forma insatisfazível
No Círculo da Luxúria, viu a felicidade nos olhos daqueles que entregavam à prática que dá nome ao círculo, estavam tão excitados, tão cheios de prazer, ver tanta gente tão bem a deixou tão triste quanto nunca estivera, nem no Abismo dos Condenados, então atirou-se à caçada, absorvendo um a um para satisfazer sua inveja e ficar bem. Sabendo da catastrófica invasão, Lilith, a deusa da luxúria e do prazer, rainha da carne e da escuridão, mestra suprema na arte de se utilizar o corpo para as delícias do sexo, foi até a intrusa. Quando Nyx viu Lilith, viu tanto poder nela que sentiu inveja e desejou absorvê-la a qualquer custo, Lilith porém lançou sobre ela um encantamento, e Nyx, devagar, se acalmou.
- O que você fez? – Nyx perguntou, respirando aceleradamente.
- Te libertei. Sente inveja, não é? Bem, você matou muitos dos meus cidadãos, mas mesmo assim, se quiser, eu posso te ensinar a controlar esse sentimento desprezível e alcançar uma vida de prazer e satisfação aqui no Círculo da Luxúria. Você nunca mais se sentirá mal quando ver alguém feliz, nunca mais vai precisar roubar e cobiçar os bens dos outros, nunca mais. Meu nome é Lilith, e o seu?
- Sou Nyx. – Falou timidamente e fascinada com o poder daquela deusa tão linda, cuja aparência divina não pode ser descrita de forma justa por nenhum escritor nem que ele tenha todo o vocabulário conhecido pela humanidade.
- Daqui em diante você é Nyx, a Deusa da Noite, assim como a noite cobre o céu iluminado pelo Sol, você e sua inveja, que transborda em cada poro de seu corpo, cobrem a felicidade da humanidade e espalham sofrimento pelo mundo. Sua cobiça sumirá, mas seu título não poderá ser outro, Deusa da Noite, o que você já fez já está feito e não pode ser mudado.
- Entendido, só me fale o que devo fazer, é horrível, eu sofro demais invejando os outros, você não imaginaria o quanto! – Nyx falou quase chorando, se apercebendo do quanto era e fora infeliz.
- Oh, não chore. A noite tem suas estrelas que brilham e iluminam a terra, você terá sua própria luz, será feliz e não precisará mais querer nada dos outros. Não me conte nada, eu sei de tudo, leio sua alma como se lê um livro aberto, conheço cada um dos seus sentimentos, cada trauma e cada tristeza, te conheço profundamente mesmo antes de te conhecer, esse é o meu poder, confie em mim e te mostrarei o caminho.
- Confiarei.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Kinesis II - Imperium Daemon parte 1

Alguns anos passados após Arius Drachen realizar sua tentativa de se tornar deus, um golpe militar realizado no continente Sogen Sul, liderado pelo coronel Hank Crocker, que derrubou o general com apoio do parlamento, tomando o poder no continente. Hank instituiu que a telecinésia deveria ser restrita somente ao exército e às forças policiais, para eliminar as chances de ser tirado do poder. Nesse contexto,surge um homem chamado Lance de Assis,poderoso TK atmocinético. Lance, após se formar na academia da telecinésia,só queria uma vida fácil,por isso se tornou um mercenário, realizando qualquer tipo de serviço à qualquer um que lhe pagasse bem,seus serviços variavam de assassinatos a até ser contratado pela polícia para matar bandidos perigosos,Lance gastava quase tudo em prostitutas e bens de consumo. Em alguns anos, Lance se tornou o homem mais temido do continente. Com toda essa “fama”, Lance se tornou o primeiro na Lista de procurados do Ditador Hank, fazendo sua cabeça valer até 50 milhões de kimes.

Ao se sentir ameaçado, o matador procurou por TKs sobreviventes à ditadura para formar uma resistência, aos poucos a resistência foi crescendo, chegando até a oferecer ensino de telecinésia a crianças abandonadas para fortalecer cada vez mais a resistência. Após um tempo, Lance resolveu dar um nome a resistência, chamando-a de Kin Nesis Clan,que significa “clã da telecinese”, no antigo idioma falado em Sogen. Após 20 anos de guerra civil, a KNC finalmente consegue enfraquecer o exercito e Lance prender Hank Crocker e todo o parlamento, dando fim à ditadura. O ataque

Depois dessa guerra civil, Sogen Sul estava quase que completamente destruída, por isso o continente necessitava um novo general, como antigo general deposto já havia falecido no presídio, Lance tomou esse cargo e a KNC se tornou a força policial e militar do continente.

No meio das ruínas das cidades após a guerra civil, alguns membros da KNC encontraram um bebê de olhos castanhos, ainda vivo e o levaram à sede. Ao ver um bebê sobrevivente à guerra civil, Lance ficou impressionado pela sorte da criança ao sobreviver e adotou-a. A criança recebeu o nome William de Assis, ou simplesmente, Will.”

William

Lance, aos 65 anos, foi para Amestris, capital de Sogen Sul, já havia reconstruído toda Sogen, o poderoso continente que havia parado de prosperar logo recuperou seu ritmo, rivalizando com Tsuchin o título de maior potência mundial. A telecinésia já era ensinada em todas as cidades, a pobreza era praticamente inexistente, além de começar as grandes pesquisas cientificas.

Aos 4 anos,Will gastava a maior parte do tempo lendo qualquer coisa que encontrava na biblioteca da cidade, como tinha uma mente muito desenvolvida aprendia tudo com grande facilidade. Mas desde essa idade, usava óculos escuros, que Lance o obrigava a usar para que seus olhos cinzas não fossem vistos, pois significavam algo que não deveriam saber, seus olhos passaram de castanho para cinza aos 3 anos, por algum motivo que ninguém conhecia. Aos 5 Lance, o mandou para a academia da telecinésia, onde mostrou um desenvolvimento extremamente rápido, enquanto a maioria da sala ainda estava na psy-wheel, Will já levitava e movia objetos de até 10 Kg, o que tornou Will muito popular na sua classe, mas acima de tudo, muito invejado.Will sempre esteve muito aplicado no seu treinamento, por isso não fez muitos amigos.

Um ano se passou e todos já haviam concluído o treinamento básico de telecinésia, agora seria realizado o teste de aptidão que definiria a classe específica da kinesis para a qual cada aluno seria levado, apesar do teste revelar os maiores talentos de cada pessoa, muitos não gostavam de estudar somente a kinesis que mais lhes convinha, por isso, foram criados cursos extra-curriculares para os que desejavam um conhecimento mais amplo.

Após o teste, dos 200 alunos da classe, 34 foram para a classe de pyrocinese, 30 para a classe de hydrocinese, 26 para a classe de cryocinese, 23 para a classe de geocinese, 19 para a classe de eletrocinese, 19 para a sala de aerocinese, 17 para a sala de luminocinese, 16 para a sala de umbrocinese, 15 para a sala de sonocinese e apenas 1 para a sala de biocinese.

Will havia sido o único escolhido para a sala de biocinese, TKs atmocinéticos, chronocinéticos e biocinéticos eram extremamente raros em Sogen Sul.

No dia seguinte Will foi para a sua sala onde conheceu seu tutor

- Oi,meu nome é Bruno,serei o seu professor de biocinese!

- Meu nome é William, mas me chame de Will.

- Will? Você é o filho do general Lance?

- Sou sim.

- Não acredito, meu primeiro aluno é o filho do general!

- Eu sou o seu primeiro aluno?

- TKs biocinéticos são extremamente raros no continente.

- Mas, e você?

- Eu sou formado em cryocinese, mas fiz curso extra-curricular de biocinese. Mudando de assunto, vamos começar a aula. Você tem algum machucado? – O professor já pensava em como faria sua aula.

- Eu cortei minha mão com uma faca enquanto treinava telecinésia.

- Você já deve ter aprendido no ensino básico a concentrar energia nas partes do seu corpo, você sabe o que é mitose?

- Sei, é a reprodução assexuada de seres unicelulares.

- Ótimo, assim não vou ter que explicar, eu quero que você concentre sua energia na área do machucado para estimular a mitose das células.

- Assim? – O ferimento de Will se fechou em poucos segundos.

- E-eu, estou sem palavras! Quando eu comecei, levei dias! – Ele ficou surpreso, demonstrou isso em suas palavras, mas não na voz, era uma pessoa controlada, como qualquer professor normal, mas de fato se sentia um perdedor em ver um garoto tão mais talentoso que ele com aquela idade, se lembrava do quanto que se matou de treinar na época que começou seu treinamento, só pra regenerar um corte ainda menor que o do aluno.

Bruno passou o resto do dia ensinando o básico da biocinese para Will, e se espantava cada vez mais com as habilidades dele, até que ficou tarde e teve que ir para a casa. Dois dias após começar o treinamento, Will conseguiu um nível anormal para a sua idade, já conseguia fazer plantas crescerem e controlar pequenos animais.

Naquela noite, logo após a sétima aula de Will, o general encontrou um pedaço de papel em cima da mesa da sala, e nela estava escrita:

“Veja bem, meu nome é Arius, e sou bem famoso nesse continente e em todos os outros, você sabe, todos me conhecem. Estarei de volta, espero que não se importe, general Lance.”

O coração dele gelou nessa hora, não era possível ele ter recebido uma carta de Arius Drachen, e muito menos alguém poderia deixar aquele papel em sua mesa, mas se fosse verdade, significaria o fim das esperanças de qualquer tipo de paz naquele continente, no mundo todo. Pensou, pensou, e chegou na única conclusão que poderia ter: Will era Arius, mas apesar de ser a única possibilidade pensável, não ousou fazer nada, por que não queria acreditar naquilo, ele era seu filho, e logo tirou a idéia da cabeça, se ele realmente fosse Arius Drachen, não perderia tempo tendo aulas básicas de telecinese e já teria o matado para tomar o seu lugar, ou coisa pior, podia-se esperar qualquer tipo de barbaridade daquele homem, ou melhor dizendo, demônio.

Um dia, estava sendo levado para casa após a aula pelo carro de seu pai, quando 5 homens pararam o veículo com pyrocinese, mataram o homem que puxava a carruagem com fogo e seqüestraram o pequeno, que desmaiou quando o carro virou, batendo a cabeça, carros eram raros em todo o mundo, por serem uma novidade, mas homens muito ricos os tinham, por serem muito úteis para o transporte rápido, embora outros tivessem condicionamento físico tão bom que preferisse ir correndo. Em seguida, o garoto foi levado para um apartamento e os homens o prenderam num quarto pequeno e sujo, cheio de ratos, quando ele acordou, começo a bater na porta do seu cativeiro e gritar.

- Me soltem agora! Eu sou filho do general!

- Cala boca, pirralho, a gente vai tirar uma boa grana de você! – Um dos bandido gritou do outro lado da porta e dando alguns chutes nela, como forma de desrepeitar o refém, a noite seria longa para Will, mas até que para alguém em cativeiro, ele não estava tão assustado, embora seu coração batesse forte e ele sentisse um forte frio por dentro, um arrepio de medo.

Já era tarde, Lance achou estranho o filho ainda não ter voltado e ligou para a academia, a secretária ligou para a portaria e disse que o garoto saiu na hora de sempre e foi levado pelo carro, como sempre. Mais tarde, ele ficou sabendo que o homem que levava Will para casa foi morto e que o garoto estava desaparecido.

A raiva que o general sentia se manifestou na sua atmocinese, deixando o céu escuro e nublado, o poder daquele homem era realmente impressionante, na época da guerra civil contra Hank, ele só venceu por causa da sua genial estratégia de guerra, que chamava de “Chuva de Destruição”, inspirada na estratégia de guerra de um dos homens mais famosos da história, o tirano Netrom Daemon, Netrom utilizava ataques aéreos de pyrocinese e aerocinese, já o general atual utilizava um exército carregado de especialistas em hidrocinese e eletrocinese, que faziam uma chuva elétrica totalmente devastadora, propiciada pela sua incomum atmocinese, a combinação de todas as telecines que podem se relacionar ao clima, hidrocinese, aerocinese e eletrocinese. Lance mandou seus homens da KNC procurarem por toda parte, até que recebeu um telefonema na sua casa:

- Alô, quem fala?

- É o general, o que deseja?

- Eu quero 1.200.000 kimes se você quiser o seu filho vivo.

- Desgraçado! Deixe eu falar com o meu filho!

- Claro que pode! Fala aí moleque! – O seqüestrador deixou o garoto pegar no telefone.

- Papai! Me tira daqui por favor! – Will falou no telefone.

- Onde você está?

Nesse momento o homem apontou uma faca para o pescoço de Will, que se segurou para não tremer de medo, mas não conseguiu:

- Eu não posso falar, papai! – Teve o telefone tirado das mãos, falou o máximo que pôde, embora morresse de medo.

- E agora, vai colaborar? – O bandido retomou o telefone, sempre no viva-voz.

- Eu encontro vocês antes, miseráveis! Se tocarem nele, eu descubro, e se eu os achar, os matarei tão lentamente, que pedirão para serem lançados no Inferno de uma vez. - Lance bateu o telefone na base, ele estava tão descontrolado que começou uma pequena tempestade em cima de sua casa, e que ia se expandindo, a atmocinese de Lance funcionava através. Enquanto isso, os homens abriam uma garrafa de cerveja, o garoto olhava para a janela e via a tempestade que se formava:

- O papai não está feliz, essa tempestade só começa quando ele fica irritado. – Ele conhecia o temperamento do pai, e sabia o que acontecia quando ele estava bravo.

- Se ele demorar muito, a gente corta sua orelha e manda pro seu papai, pra ele ver que é sério, um dos seqüestradores deu dois tapas na cara da criança, amedrontada, e jogo ele de volta no quarto, trancando e rindo alto.

No quarto onde Will ficou preso, havia muitos buracos nas paredes, enquanto meditava, pelos buracos saíam e entravam ratos a todo momento, que eram a única companhia que tinha, ratos sujos e com cheiro de bosta. O garoto os controlou usando sua biocinese cerebral, mais ou menos o tipo de poder que Alexiel Dracole Drachen tinha, a capacidade manipular cérebros com biocinese, um talento raríssimo que corria em seu sangue, tentava fazê-los pegar a chave do quarto, mas sempre que mandava, os ratos só traziam lixo e sujeira, porém, no meio do lixo, encontrou a única coisa que precisava pra fugir: uma semente. Will já havia aprendido a manipular o crescimento das plantas, por isso não precisava de mais nada para derrubar a porta, porém, ele sempre ouviu os homens conversando do lado de fora do quarto e sabia que estavam vigiando-o. Ao invés de derrubar a porta, ele colocou a semente no chão e começou a fazê-la crescer no chão do quarto, que era de terra batida, já que o cativeiro era bem miserável e não tinha nem azulejo, usou os nutrientes da terra para fazer a planta crescer, o princípio da biocinese era a transformação, se ele quisesse fazer uma planta crescer, ele primeiro deveria fazê-la absorver o material necessário para permitir seu crescimento, o material a ser transformado em mais matéria orgânica. Suas raízes furavam cada vez mais profundamente a terra, até sair pelo lado de fora na forma de grandes espinhos, furando os corpos dos homens que ali estavam, pegos de surpresa e por baixo, na sala pouco espaçosa, praticamente sem chances de fugir, deu para ouvir muitos gritos, certamente ser empalado por espinho doía bastante. Em seguida ele derrubou a porta e saiu do quarto, um dos homens que ainda não havia morrido, que apenas estava no chão todo furado, segurou Will pela perna e começou a queimá-la com pyrocinese, causando queimaduras superficiais com logo cresceriam:

- Você não vai fugir assim, eu ainda não tirei aquela grana preta do seu pai! – Ele derrubou o garoto no chão, soltando fogo nas duas pernas do garoto, sem arrancá-las, e principalmente, sem matá-lo, não queria perder o resgate, ainda tinha esperança de que pudesse manter o seqüestro.

- Cala boca e vai para o inferno. – Will, caído no chão e sem conseguir se levantar, chamou os ratos que começaram a morder o corpo do homem, que o largou e tratou de lutar contra eles, enquanto isso, o garoto fez sua planta espinhenta matar o homem por trás de um modo bem indiscreto. Resumindo: Os gentis e inocentes sequestradores, que só queriam alimentar sua família e supri-las com suas drogas, foi cruelmente morto por este garoto, depois que eles apenas o pegaram, humildemente deram uns tapas na cara e ameaçaram arrancar sua orelha para mandá-la pelo correio. Depois se arrastou até o telefone, e com muito esforço, se levantou, para pegá-lo chamar seu pai, estava sentindo muita dor:

- Alô, quem fala?

- William Assis. Recém liberado do seqüestro. – Seu tom estava bem feliz nessa hora, orgulhoso de si mesmo por ter saído dali, embora ao mesmo tempo fosse cansado e sofredor, suas pernas queimadas realmente doíam muito, ele podia curá-las, mas demoraria um pouco, tinha que se concentrar em chamar o resgate, a essa altura, seu medo já havia passado.

- Filho! Onde você está?

- Deixa eu ver. – Foi até a janela. - Eu estou numa casinha de barro de dois andares em frente a uma carpintaria na rua Rafael Frujeri 11 de setembro.

- Já estou indo te buscar, me espere!

Lance e a policia chegaram lá em pouco tempo, quando avistou seu filho, a forte tempestade que castigava a capital parou. Ele o abraçou ternamente, uma cena bastante tocante:

- Que bom que te encontrei filho, vamos pra casa. – Ele sorria tão grande que seu sorriso nem poderia caber no rosto, estava feliz demais por ter encontrado o filho em segurança.

- Não vai nem recolher os corpos? – O menino fez uma cara estranha, olhando de lado, curou as próprias pernas logo após o telefonema, não era difícil para um gênio da biocinese curar algumas queimaduras pouco graves.

- Que corpos? – Lance ficou surpreso, os olhos expressavam espanto.

- Você acha que eu escapei como? – Ele sorriu com ironia.

- Você... matou os homens? – A essa altura, o general já estava chocado, não deveria, já que ele mesmo matou demais em sua vida, mas alguns outros pensamentos e possibilidade assustavam sua mente.

- Eles não eram grande coisa mesmo, tinham mais é que morrer pelo que me fizeram! – Will se orgulhava de ter matado aqueles maus elementos, sorrindo orgulhosamente, um justiceiro à moda antiga.

Ao ouvir isso, Lance sentiu um frio na espinha, acabava de descobrir que tinha um filho que podia ser um verdadeiro perigo, ele sabia que todos os famosos assassinos da história começavam assim, matando alguém para a própria salvação, e sentindo prazer nisso, foi assim com Arius, foi assim com Kinesis, com Dante, e poderia ser assim com Will também, sendo que além de tudo, todos também tinha uma grande aptidão para a telecinésia, e seu filho também se encaixava nisso, se se tornasse um assassino, seria um dos piores. Ele pediu para recolherem os corpos e levou a criança para casa, o menino estava realmente muito orgulhoso por ter conseguido escapar:

- Ei papai, não quer saber como eu dei um fim naqueles caras?

- Eu prefiro não saber, mas ouça, matar não é motivo de orgulho, você nunca ouviu falar no assassino em série Dante Hamachi? – Parecia preocupado.

- Já li sobre ele na escola, um verdadeiro monstro, destruiu cidades inteiras por diversão, queimando centenas de pessoas inocentes.

- Pois é, se você fizer disso um hábito, vai ficar como ele. Quando ele começou, não tinha menos do que a sua idade.

- Eu vou virar um anão? – O garoto lembrou da baixa estatura do TK famoso, que apesar de pequeno, fora capaz de marcar a história do século e ser lembrado como o segundo maior assassino da história, e imitado por muitos bandidos de baixo nível que eram facilmente presos ou mortos, diferentes do seu exemplo, um gênio do crime, capaz de matar qualquer um em um piscar de olhos, literalmente.

- Não foi isso que eu quis dizer, eu quis dizer que você vai ser um bandido, e eu mesmo terei que prendê-lo. Prometa que nunca mais vai matar ninguém. – Ele estava muito sério.

- Nem por legítima defesa? – Will precisava barganhar

- Tudo bem, assim pode.

- Eu prometo. – Ele cruzou os dedos, mas o pai nem viu, muitos planos permeavam sua mente, planos para um futuro brilhante, ou dependendo do ponto de vista, sombrio.

Apesar de não demonstrar, o garoto acabava de passar pelo maior trauma de sua vida, que mudou completamente a sua personalidade e forma de pensar, tinha crescido com a experiência, para alguém que tinha sido seqüestrado e matado duas pessoas, até que estava ótimo, mas mesmo assim não estava intacto, mas sim abalado. Ele foi para cama e dormiu profundamente, o pai foi vê-lo e ficou aterrorizado com o que viu, um homem de roupas cinzas e uma longa cabeleira branca. Ele estava diante de uma criatura superior, que passava a mão na cabeça de Will dormindo, quando viu que estava sendo observado se virou para o general que olhava amedrontado, ainda se lembrando da carta que teria recebido daquele homem:

- Cuide bem do meu filho. – Olhou para o general, com olhos cinzas e frios, então ele desapareceu no ar, evaporando como fumaça que se dissipa no vento.

Lance reconheceu a aparência da criatura, cabelos brancos, olhos cinzas, aparência velha e um sorriso de mau gosto, era Arius Drachen, que todos achavam estar morto. O general nunca ficou tão aterrorizado na vida, acabava de descobrir que a criança que criava como filho era, na verdade, a cria do maior demônio da história, e depois de ver do que Will era capaz, Lance ficou com medo de estar criando um monstro adormecido, como Arius havia sido, suas veias gelaram, o sangue correu mais rápido, e sentiu as pernas bambas, pensamentos horríveis haviam sido despertados dentro de sua mente, e um estranho sentimento que não poderia descrever com outra palavra além de “péssimo”.

Aos 10 anos, o menino se tornou bastante próximo de seu professor Bruno, sendo este o único amigo dele, com ele, o jovem gênio aprendeu tudo sobre biocinese e sobre o corpo humano. Will queria poder usar suas habilidades em prol de uma boa causa, e logo tentou descobrir algum problema que pudesse resolver com seus talentos biocinéticos. Ficou sabendo que vários pescadores que iam para a floresta pescar no riacho contraíam um veneno de uma perigosa serpente chamada cobra-coral, resolveu procurar a serpente e descobrir uma vacina para o veneno. Ele ficou horas procurando a serpente e nada, até que ele finalmente avistou uma cobra subindo em uma árvore, entrando num ninho de pobres aves inocentes, foi quando a capturou com as próprias mãos, a segurando com firmeza e e a prendeu numa caixa de papelão, ele já estava voltando, quando ouviu um pio de um pequeno pássaro vindo do ninho que a cobra em que entrou, ele foi ver, era um filhote de coruja que teve sua mãe devorada pela serpente, o filho do general pegou o pequeno animal e o levou para casa para criá-lo como mascote.

Will improvisou um laboratório no porão de sua grande casa, Lance estava viajando a trabalho para Tsuchin e o menino estava aos cuidados de babás, embora não fosse necessário que cuidassem dele, precisava de alguém para vigiar a criança contra pessoas que quisessem fazer qualquer coisa com ele, um seqüestro por dinheiro, ou até mesmo o primeiro passo para um golpe de estado, suas babás eram 4 sargentos do exército de Sogen, especialistas. O pequeno TK biocinético comprou um microscópio e pegou vários ratos de rua para fazer os experimentos, colocou a pequena coruja num canto e a alimentou com pequenos ratos do porão, pegou um frasco e tirou a peçonha da serpente, em seguida colocou no microscópio, depois disso, usou sua biocinese para alterar a composição da substância, bem, pelo menos tentou fazer isso. Em seguida colocou numa seringa e injetou num rato, depois segurou a cobra para injetar o líquido venenoso no rroedor, com cuidado para não deixar ela devorá-lo, o rato morreu imediatamente. Tudo era feito sobre a supervisão dos 4 TKs, sabiam que o general iria arrancar a pele deles vivos se acontecesse alguma coisa com o menino, mas por algum motivo, achavam que os experimentos dele não dariam errado e nem acabariam em desastre.

- Inferno! – Odiou sua falha, e testou outros métodos em seguida, passando horas e mais horas tentando fazer um antídoto. Acabou matando 60 ratos, mas acabou fazendo um antídoto efetivo quando usou biocinese na cobra, pra ela mesma criar o antídoto, algo bastante avançado pra qualquer pessoa, mas aquele garoto era descendente de Alexiel Dracole Drachen, o homem que havia dividido a história em antes de Drachen e depois de Drachen, então era de se esperar, foi assim que ele descobriu o príncipio.

A vacina estava praticamente completa, mas ainda faltava saber se funcionava em humanos, Will injetou sua vacina em si mesmo e soltou o réptil, apertando a cabeça dela, fazendo-a morder seu braço, depois prendendo de volta. Nem mesmo horas depois, nenhum sintoma se manifestou, apenas ficou roxo, o jovem ficou muito feliz com a sua conquista, mas queria mostrar para seu pai, que, infelizmente, não estava lá para ver, então ele foi mostrar para seu professor Bruno que estava mais acessível, Lance estava em uma “campanha” contra o tráfico de drogas na cidade do lado. Então o pequeno gênio foi para a academia e encontrou seu professor:

- Professor! Professor! – Ele já chegou gritando.

- Will? O que faz aqui? – O professor tomou um susto.

- O senhor sabe que tem vários pescadores morrendo por serem picados pela cobra-coral?

- Sim, por que?

- Eu tenho em minhas mãos a vacina! – Tirou a seringa do bolso da calça, com um orgulhoso sorriso no rosto, estava pronto para mostrar o que era capaz de fazer pelo bem das pessoas.

- Você está falando sério? Você fez isso sozinho? – Bruno não acreditou muito, mesmo conhecendo o talento do garoto.

- Sim e já testei em mim mesmo, pra ser mais específico.

- Como pôde fazer isso? Tem idéia do risco que correu?

- Se eu corri um risco, não importa, o que importa é que eu vou salvar vidas com isso! – Não aceitaria que fosse tratado como uma criança.

- Tem certeza absoluta?

- Eu fui mordido por uma serpente depois de tomar a vacina e não tenho nenhum sintoma! – Estendeu o braço que segurava a seringa, mostrando as marcas da mordida da cobra, dois furos sobre a pele roxa na área.

- Vamos levar a sua vacina para o laboratório de medicina, vamos ver o que eles dizem.

Os dois foram para o laboratório mostrar a vacina, Bruno já trabalhou no laboratório, mas o abandonou para ser professor da academia. Ao chegarem, encontraram Ramon, um antigo amigo de Bruno, que aliás, tinha um penteado que lembrava bastante um punk.

- Ei, Ramon! – Bruno gostou de encontrar o amigo que não via há tempos, acenou feliz da vida.

- Bruno! Há quanto tempo não te vejo! – O outro sorriu de volta, também estava feliz por ver o velho amigo novamente, na época da crise dos feijões no nordeste, conseguiram arranjar uma solução juntas, com pesquisas complexas sobre as pragas que infestavam as plantações..

- Eu vim trazer uma vacina que vai ser de grande ajuda às vitimas da cobra-coral!

- Você que fez?

- Eu não. – Pôs a mão no ombro de Will, piscando.

- Essa criança? – Ele ficou surpreso.

- Filho do general, pra completar, leve uma amostra da vacina pra fazer os testes. – Will completou, estendendo a seringa com a vacina que havia criado.

- Já que é filho do general, então eu verei, voltarei com os resultados em alguns dias. – Ele pegou a seringa e se virou de costas, teria um logo trabalho pela frente, naquele caso, testar a vacina seria ainda mais difícil do que fazer.

Uma semana depois e a vacina de William foi aprovada pelo laboratório e começou a ser distribuída pelos postos médicos da capital e mais tarde pelo continente inteiro. Ele ficou bem conhecido no continente inteiro por ter feito tal descoberta na sua idade, se tornou um verdadeiro exemplo para as crianças da época, tanto que uma expressão muita usada pelas mães para os filhos era “Estude meu filho, e talvez você fique inteligente como William de Assis”.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Samantha Abschteulich - Parte 1

Trecho de "Profecias de Samantha Abschteulich"

Eu sou a protetora dos homens, a filha da dor, e ao mesmo tempo, mãe da dor e desespero no coração da humanidade, eu experimentei o verdadeiro sofrimento durante minha vida, mas a dor é o que nos torna perfeitos, sofrendo e nos fortalecendo cada vez mais, assim, acredito ser hoje a pessoa mais poderosa em todo o mundo, porque ninguém sofreu como eu sofri, e tenho visto coisas inexplicáveis. Ninguém sobre a face de nosso mundo entende perfeitamente o seu funcionamento, mas eu fui a pessoa mais próxima disso, eu preciso escrever isso rápido, pois não acredito que vá ser capaz de viver por muito tempo, irei morrer em breve, pois estou doente e morrendo aos poucos, sofrendo mais do que nunca, mas a diferença, é que já sofri tanto que nem me importo mais, se tornou um prazer gratificante. A retrocinese é a verdade que todos nós procuramos, a capacidade de mudar nosso futuro, em meus sonhos mais fantásticos, vi-me em projeções astrais onde senti minha dor ser reprimida, e substituída por um prazer supremo, algo que eu chamaria de “felicidade absoluta”, enquanto sentia essa sensação maravilhosa, vi meu futuro e meu presente, vi coisas que eu lembrava de já terem acontecido, e coisas que ao acontecerem, mas que viriam a acontecer no futuro. Em um futuro, não sei exatamente em quanto tempo, mas eu tenho visto esses sonhos em várias noites, sentindo minha alma fora do corpo, como nas projeções astrais, mas um modo mais intenso, quase sólido, é como se eu realmente estivesse do outro lado, mas eu vi muitas coisas, e nesse livro eu as descreverei com detalhes, para que meus filhos e filhas possam saber o que virá a acontecer. E eu sei disso, pois de acordo com a retrocinese, o passado, o futuro e o presente estão interligados, e portanto, não são inalteráveis, claro que não podemos viajar no tempo, mas nós podemos influenciar ou prever as coisas que o acaso provocará, Eric Lionel descreveu a retrocinese como procinese, ou programming, mas acredito que esse termo esteja errado, retro faz mais sentido, afinal, estamos mudando o que acontecerá.
E a primeira profecia foi a volta de Samantha Abschteulich, assim como prevejo a minha morte em breve e escrevo esse livro apressadamente para que meus filhos leiam minhas últimas notas, prevejo que voltarei, em uma noite sagrada da Hallanacht, nosso culto sagrado nas madrugadas da última sexta-feira de cada mês, representando o início do fim, o fim é a morte, e o início do fim, é a dor, eu vi um de meus sucessores dentro da Igreja Abschteulichista, e esse meu sucessor , que será uma pessoa digna e amante da dor, me abrigará em seu corpo, após eu retornar de minha morte, pelo meu ciclo. Essa pessoa estará com sua mente aberta, superando todos os limites de sua mente, e permitindo que aqueles que não estão nesse mundo, se comuniquem, essa pessoa permitirá que eu volte, e me abrigue em seu corpo, iniciando o primeiro passo da nova era da humanidade. Eu vi uma criança sofrendo, eu não podia ver o que acontecia com ela, mas ela passava por uma dor imensa, a maior dor de sua vida, eu vi uma ligação entre essa criança essa criança, a minha sucessora e eu, pelo que vi, eu deverei me abrigar no corpo dessa criança, que carregará um sofrimento ainda maior do que o de minha sacerdotiza, e então eu estarei pronta para começar a minha missão na segunda vida. Eu quero que meus servos preparem para que cada fase ocorra com perfeição, e darei para todos, nesse livro, junto com cada profecia, as instruções que devem seguir para que tudo ocorra bem, tanto para mim, quanto para vocês, meus filhos amados, e façam com devoção e atenção, pois a perfeição não virá fácil, e preciso que se esforcem para fazer exatamente o que eu pedirei.
eu posso estar louca, mas eu tenho o poder de mudar o meu próprio futuro, se essa profecia não se cumprir pelo destino, se cumprirá pelo poder de minha retrocinese. A filha da dor voltará de um jeito de outro, e vocês irão me ajudar nisso, eu sei que elas se cumprirem, pois mesmo que eu estive errada, vocês a cumpririam por mim, e eu acredito em vocês, meus filhos, vocês irão construir as bases necessárias para o meu retorno, então, peço que sigam as regras que darei com total exatidão...”
- Minhas mãos ainda não se cansaram, o que quer? – Samantha viu seu quarto invadido por uma pessoa vestida com uma capa negra e segurando uma foice, um uniforme que só era usado pelos sacerdotes da Igreja Kinezista, não o maior, mas o mais radical rival da Igreja Abschteulichista, afinal, enquanto um pregava a busca da perfeição através do auto sacrifício, o outro pregava o sacrifício de outros e a busca da força militar para a supremacia na terra.
Samantha estava em seu quarto escrevendo, morava em uma casa grande de dois andares, até pequena para uma pessoa de seu porte, aquele homem estava lá, mas parecia não estar lá para matá-la, pois ainda não havia tentado, mas olhava para seus olhos com um certo desprezo, mas certamente não seria um problema para a grande Filha da Dor.
- Como pode ver, vim aqui pacificamente, é claro que mesmo se minha intenção fosse machucá-la, eu não conseguiria, já que é a maior TK mulher de nossos tempos, e talvez, da nossa história. Eu estou aqui para oferecer um trato entre os Kinezistas e os Abschteulichistas, embora suas filosofias sejam controversas, ambos estão por baixo, afinal, o Drachenismo é quem está por cima, a maior parte do mundo o segue, essa maldita religião de humanistas que se auto-veneram, há uma rixa entre todos nós, mas tenho certeza de que se derrotarmos o Drachenismo primeiro, será melhor para nos combatermos em seguida.
- Eu entendo, enquanto nós os pequenos nos matamos, os grandes se fortalecem, mas não me interessa, logo eu estarei morta, e não confio em vocês, não sei se meus sucessores serão fortes o bastante para lidar com vocês, então me deixe. – Ela usou seu dom super desenvolvido de transferir dor para fazer o homem cair no chão, sentindo como se tivesse as partes íntimas perfuradas por um ferro quente, rolando no chão e gritando como um animal indefeso. – Alguém leve esse cara para longe de mim. – Falou bem alto, mas ninguém veio, pelo jeito, o homem devia ter apagado as pessoas que guardavam o local, o que a levava a acreditar que era um poderoso TK, mas debaixo de sua tortura psíquica, até os mais fortes TKs se tornavam animais indefesos.
- Para, para, pelo amor de Kinesis, para. – O Kinezista gritava em agonia, aquela mulher tinha a capacidade de criar todo tipo de sensação no tipo de sua vítima, embora fossem ilusórios, eram muitas vezes piores que a morte.

13/04/ 1914
Estava naquele lugar, entre o nosso mundo e o mundo deles. Algumas pessoas brincam com o que é proibido, em um mundo em que todo mundo pratica telecinese isso não deveria parecer tão estranho, pois de telecinese para contato com os mortos, só iria meio caminho. Claro, não tem nada a ver um com o outro, mas em meu mundo ignorante há gente que acha que telecinese é bruxaria a atribui ao Diabo, de qualquer modo, quanto a projeção astral, não entendo como pessoas podem tentar ir para aquele lugar por vontade própria, eu odeio aquele lugar. Aquele lugar é escuro e desagradável, mas eu aprendi tanta coisa e vi tantas mentes, quando elas estão sonhando ou em projeção astral, elas passam perto de mim, e eu posso ver a maioria delas, o problema é a localização, aquela mulher estava com a mente aberta, aberta de um modo que eu nunca havia visto antes, então eu consegui entrar em sua mente, assim como um penetra entra em uma festa.
- Mestra Abschteulich, é você? – Aquele mulher parecia ser louca, seus olhos brilhavam como se estivesse de frente de seu Deus.
- Sim, sou eu. – Eu podia ver nos olhos daquela mulher que ela tinha fé, a fé torna as pessoas tolas e faz com que acreditem em coisas absurdas, se ela estavam perguntando se eu era a tal Abschteulich, eu não negaria, pois eu poderia ter controle sobre ela se ela achasse isso.
- Oh mestra, estive esperando por você, as profecias previam que você voltaria à vida, que seu sofrimento foi tão grande que nem a morte poderia cessá-lo. Mas agora, minha mestra, poderá ser recompensada por tudo que sentiu por todos aqueles anos, como nossa deusa terá o pagamento, a recompensa, tudo que merece por ter sido tão forte. – Ela falava com lágrimas nos olhos, percebi que seria fácil convencê-la, mas ainda deveria ter uma desculpa.
- Bem, admito que não me lembro de nada de quando eu era viva, poderia me lembrar? Só me lembro de ter vindo parar aqui, nada antes, é como se eu tivesse nascido agora, mas de algum modo, eu sei meu nome. – Eu parecia convincente com meu tom de voz, mas naquele lugar, as coisas são mais simples.
- Te contarei a história toda:
Samantha Abschteulich era filha de um militar, sua mãe era enfermeira, e passou seus primeiros anos de vida em Houkaiser. Tsuchin, o continente de origem de seus pais estava em guerra com Houkaiser, Diller Abschteulich e Charllote Cavalcante, a guerra durou 10 anos e causou milhares de mortes. Ela era uma criança de saúde extremamente frágil, quase morreu durante o parto, cresceu em uma colônia para as famílias dos militares, onde ia para a enfermaria toda semana, tendo a sorte de ter mãe enfermeira, pois tinha constantes ataques de vômito e dores intensas de cabeça, os pais dela eram depressivos e nunca sorriam, que nem ela, embora não fossem assim antes do nascimento da filha. Costumava sentir dor nos membros, e precisava ser sedada para dormir, pois não conseguia naturalmente, já que suas dores intermináveis nunca a deixavam. Seus membros doíam com qualquer movimento, as pernas quando ela andava e os braços quando ela os usava, mas não doíam quando em repouso, seu grande problema era a dor de cabeça, que durava 24 horas por dia.
Tinha a aparência de uma morta, seu rosto era extremamente magro e todos os seus ossos eram visíveis, Samantha tinha dificuldade para comer, pois tudo que ela conseguia não vomitar eram as sopas leves, geralmente de batata e cenoura, coisas que não causavam vômitos na garota. Após algum tempo com essa dieta de sopa, parou com os vômitos, tendo a situação estabilizada. Samantha tinha a pele acinzentada, algo que assustava até seus pais, que foram despedidos quando ela tinha 8 anos, pois a guerra acabou e foi feita uma grande despensa de militares desnecessários. Sem condições de criá-la, os pais de Samantha a abandonaram em uma rua, para que morresse, eles sabiam que não poderiam fazer mais nada por ela, uma garota extremamente doente e com pais desempregados e sem-teto, tendo também a certeza de que ninguém iria querer adotá-la e criá-la, e sem coragem para matar a garota de modo rápido e indolor .
A garota foi deixada em um beco na cidade de Florência, os pais disseram para que esperasse, e ela esperou, até o terceiro dia, quando desmaiou. Quando acordou, estava em um hospital público, em um cama, aparentemente havia sido salva por alguma espécie de biocinese medicinal extremamente efetiva, se viu na frente de um médico alto, que havia cuidado dela, eles conversaram e ele acabou a adotando, se comovendo com a história de sofrimento da garota.
Ela passou os 3 anos seguintes vivendo com o médico Jonieriton Drunko, que acabou cometendo suicídio no final do terceiro ano. Ele havia dedicado grande parte de seu tempo livre a tentar curar a filha adotiva, mas falhou, e se matou por causa da culpa que sentia por não ter sido capaz de curar a menina, que herdou todo o dinheiro do homem e passou a ser guardiã legal do patrimônio dele, algo possibilitado por uma lei da época, que permitia que menos estudantes com média escolar de pelo menos 90% não precisassem de um guardião legal para cuidar de seus bens. Sua depressão e necessidade de compartilhar a dor a levou ao cargo de escritora, dedicava sua vida a escrever e publicar livros, criando a primeira editora da história do mundo, a editora Abschteulich, que alcançou grande sucesso com seus livros baratos. As principais temáticas dos livros de Samantha eram histórias fictícias de terror e mistério e livros de “auto-ajuda” que apontavam o sofrimento como o caminho para a felicidade o sucesso. Ela passou a acreditar que seu sofrimento eterno era um dom que a tornaria forte, ela acreditava que as pessoas deveriam ser como espadas, sendo forjadas no fogo do sofrimento, e quanto maior o sofrimento, mais forte a pessoa seria, sendo esse sofrimento o único caminho correto.
Muitas pessoas se identificaram com a filosofia de Samantha, que ela chamava de Abschteulichismo, ela conseguiu muitos adeptos, principalmente pessoas de vida dura ou saúde fraca. O fato era que a garota conseguia passar pedaços de seu sofrimento para os livros, fazendo com que os leitores sofressem também, coisa que ela aprendeu a fazer durante os anos que viveu com Jonieriton, mas ela conseguia fazer com que as pessoas se acostumassem com o sofrimento e gostassem dele, levando em conta a filosofia do Abschteulichismo, que fazia com que elas desejassem sofrer para se tornarem melhores, como masoquistas. Samantha passou a escrever obras religiosas, o Abschteulichismo deixava de ser filosofia para ser religião, a dor era vista como um caminho para o divino, e as pessoas deveriam compartilhar a dor sempre que pudessem. A Igreja Abschteulichista não tinha nenhuma sede, e os cultos eram discursos feitos pela líder em locais públicos.
“- Meus seguidores, a dor e o sofrimento nos fazem pessoas melhores, compartilhem de meu sofrimento, para que possam ser grandes, todos juntos, como uma grande família de pessoas forjadas no mais alto fogo, fortes e evoluídas.” Essa foi a frase mais famosa de nossa religião, mestra.
Após o Abschteulichismo se tornar popular como religião, Samantha se casou para poder continuar sua linhagem de sofrimento, a essa altura já havia se tornado uma pessoa totalmente masoquista. Ela não pretendia fazer sua religião se espalhar pelo mundo todo, ela sabia que só podia compartilhar sua dor com as pessoas ao seu redor, ela podia fazer com que os seus sentimentos e sensações fossem transferidos, ela não podia evitar a tristeza doentia e as dores infernais que sempre sentia, mas podia fazer que qualquer pessoa por perto as sentisse também, a dor emocional passavam para os outros naturalmente, a física, só quando ela fazia conscientemente. Ela queria divulgar seu livros, isso espalharia a dor pelo mundo, mas não na quantidade certa, ela pretendia fazer com que seus descendentes fossem se multiplicando para poderem espalhar a dor, já que uma grande quantidade de pessoas teria mais facilidade para espalhar o sofrimento do que ela sozinha, então acabariam por dedicar suas vidas à procriação. Após sua morte, aos 32 anos, por falta de nutrientes no sangue, seus filhos continuaram a linhagem, levando o dom de compartilhar a dor e a necessidade de sofrer para evoluir, porém o Abschteulichismo decaiu muito, passando a ter pouquíssimos seguidores após a morte de sua criadora, passando a ser difundido pelos seus descendentes. - Ela terminou após falar pó muito tempo, a mulher se emocionava a cada palavra, ela realmente acreditava naquela história.
- Eu sou Samantha Abschteulich, a criadora do Abschteulichismo, eu vim para mostrar a dor à humanidade para que cada homem na terra se torne uma pessoa melhor. Mas você, minha fiel sacerdotiza, como se chama? – Fui fria, a tala Samantha não parecia um tipo de pessoa emotiva, então quanto mais tranqüila eu estive sendo, mais convincente, afinal, eu supostamente sofri mais que qualquer pessoa no mundo e agüentei resistentemente até onde pude.
- Mestra, não sabe como estou honrada em te ter em minha mente, irei providenciar os métodos para te levar o mundo real, a senhora viverá dentro de mim 24 horas por dia, e logo poderá ter seu próprio corpo, meu nome é Zena Lavigne. – Ela se curvou em reverência quando disse isso.
- Zena, por que simplesmente não deixa eu possuir o seu corpo, tributando sua mente para permitir que sua mestra viva? – Eu estava com pressa para sair daquele lugar.
- Não existe um modo de se fazer isso. Mestra, os seus livros previram que voltaria no corpo de uma criança, primeiro você retornaria como espírito, e depois como uma pessoa, a data da sua volta espiritual não foi definida, mas a de sua volta física foi. Acontecerá na Hallanacht, algo que só acontecerá em alguns anos, enquanto isso, ficará abrigada em minha mente, a senhora é poderosa e não condições de viver completamente em um corpo fraco como meu, a pessoa que assumir seu corpo será uma pessoa tomada pelo sofrimento e pelo desespero, uma pessoa que não acredita em vossos princípios, uma pessoa que não pode aceitar a dor. – Ela estava me enrolando.
- Eu quero voltar agora mesmo, me dê seu corpo, eu não me importo se não é forte, eu só quero sair daqui e fazer o que preciso fazer logo. – Eu fui sincera, não agüentava mais estar naquele lugar, queria estar vivendo como qualquer outra pessoa.
- Desculpe mestra, mas não há opção, não pode ter meu corpo, mas não é porque não deixo, mas porque não posso, o sofrimento necessário para abrir as portas para sua dominação precisa ser muito forte e forçado, eu sofro e gosto disso, pois sei que a dor é o caminho para a perfeição, então não estarei sofrendo plenamente, nós Abschteulichianos estamos acima do sofrimento, é por isso que a pessoa que te receberá não pode ser um.
- Já que não tem escolha, viverei em tua mente e esperarei pela noite em que voltarei á vida. – Tive que aceitar, eu era fraca demais para possuir a mente ou corpo dela, e se eu tentasse isso, ela perceberia que não sou Samantha, então minha chance estaria perdida.
- Mestra, espere, já esperou sua vida toda, não fará mal esperar mais alguns anos, a noite chegará, e a profecia se cumprirá, Samantha Abschteulich estará de volta! – E ela falou com toda a devoção que uma pessoa poderia ter.


- Eu sou uma garota que tem tido pesadelos assustadores, na verdade, fico impressionada por ainda estar viva, não é fácil pra mim agüentar, pois dói muito. Desde meus 3 anos, me lembro que sentia violentas e constantes dores em minhas pernas e braços, eu poderia dizer que é uma maldição que carrego e que não posso evitar, mas isso seria pouco para descrever o que sinto. Vocês não entenderiam, afinal, são apenas pessoas comuns que têm a chance de ser feliz, e acabam sendo sem ter que se esforçar. Ter paz, ter saúde, vocês não são forçados a idolatrar os momentos de sono como o único instante de paz de suas vidas, e muito menos são perseguidas por pesadelos ásperos que acabam tornando esse momento de paz em um inferno ainda maior. Eu queria que todos conhecessem a minha dor, eu queria que todos pudéssemos sentir juntos essa sensação amarga e contínua, não são apenas as dores que assolam meus ossos e músculos, mas a constante vontade de morrer e escapar desse mundo tão indevido para mim. Nada é realmente importante, eu vivo por viver, talvez haja um lado bom em tudo, certamente porque me sinto a pessoa mais miserável do mundo, mas apesar de tudo, sinto que tenho um fardo e uma missão, meu sofrimento me deixará mais forte, e quem sabe, um dia, eu tenha me acostumado e já não me importe com tudo isso. – A pessoa estava sentada em um tipo de trono em uma igreja, iluminada à luz de velas, ela lia uma carta em voz alta, as luzes não eram muito fortes e seus cabelos ficavam na frente dos olhos, para ela era possível ver além dos próprios cabelos, mas para quem olhava, não era possível ver seus olhos, a boca parecia bastante seca, ela vestia um vestido negro bem curto, que deixava apenas os braços de cotovelos até as mãos e as pernas dos joelhos para baixo de fora.
- Santificada seja Samantha Abschteulich! – Um homem que disse, havia 9 pessoas no total naquele lugar, esse homem estava vestido com roupas de frio bastante grandes, de fato, Magnekure era um continente extremamente frio, com média de temperatura entre 10 e 0 graus.
- Eu celebro essa missa Abschteulichiana em nome da grande Samantha Abschteulich, a nossa guia, nossa mãe. Hoje é a noite mais importante do calendário feito por nossa mestra, a Hallanacht, a noite mágica da águia, como todos sabemos, nossa mãe definiu em maior livro, a “O Absch”, a Hallanacht ocorreria no dia 14 do 8 de 1924, o dia em que o sofrimento tomaria conta de uma criança, quando o princípio do sofrimento voltaria no corpo de uma criança especial. – A sacerdotiza guardou o pedaço de papel e segurou a ankh que estava levando pendurada no pescoço, a ankh era a imagem que Abschteulich tomou como seu símbolo, mas a que representava a religião era diferente, pois era pontuda, exceto na cabeça, as pontas eram cortantes como facas, a mulher colocou o objeto nos lábios e cortou os cortou com a ponta.
Cada pessoa naquela local levava ankhs iguais em seus pescoços, todos fizeram o mesmo, cortando os lábios, isso poderia explicar o porque de todos terem bocas secas, arrancavam todo o sangue à força.
- A criança que Abschteulich previu, DDM, ela nunca contou o que significava essa sigla,mas previu que saberíamos dizer quem seria, e que essa garota nos mostraria a verdade. A essa altura, está começando uma guerra aqui. Cortamos nossos lábios para que nossas palavras saiam com mais intensidade, assim que a menina entrar por esta porta, usaremos nossas habilidades para fazer de nossas palavras, os seus pensamentos, e ela será o que nós mandarmos que ela seja. – As portas e janelas estavam todas fechadas, a única luz era das velas, de fora da igreja realmente havia uma barulheira impressionante, era o barulho de várias pancadas bem altas, aparentemente estava acontecendo um tumulto do lado de fora.
- Ave Abschteulich, bendita sóis vós entre as mulheres, bendito sejam vossos ensinamentos, traga a nós a dor que sentiu, compartilhe de vossa dor, deixe-nos experimentar o vinho amargo que sentiu. – A sacerdotiza orava, mas a essa altura, alguém abriu as portão da igreja.
- É ela, irmã Zena. – Era um policial segurando na mão de uma criança, uma pequena menina loira que vestia uma blusa de frio vermelha e uma calça de lã grossa rosa, o policial obviamente usava uma farda, as fardas em Magnekure eram bastante grossas, azuis com quepe, mas tudo feito com lã grossa. A menina era loira, de pele morena clara, olhos castanhos e cabelo dourado, ela chorava muito, mas baixo, como se estivesse sendo ameaçada, também é bom salientar que seu rosto e seus braços estavam inchados e roxos, cheios de marcas, com as mãos totalmente raladas, vários cortes, pequenos rasgados na região inferior do vestido e um dente faltando, arrancado à pancadas, era de dar pena, sem falar que ela mal ficava de pé direito, mancava como um animal ferido.

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