A história de Drachen e Daemon
- Hoje, no reformatório número 3 temos uma triste notícia, como de costume, os alunos de cada sala com as piores notas das últimas provas, serão mortos, em sacrifício a nosso senhor e salvador, Harudo Kinesis. – O porco olhava para nós todos, ali, meros estudantes de 7 anos tentando sobreviver naquele sistema mortal, era daquele jeito mesmo, as crianças eram obrigadas a ir para escola, e a partir dos 7 anos, a regra era aplicada, o pior aluno de cada sala era sacrificado, eu já havia visto várias daquelas cerimônias, eram revoltantes e grotescas, mas nunca havia feito nada, quem poderia ir contra a vontade de Deus? Eu não acreditava no Deus deles, que pedia sangue humano para se auto-satisfazer, mas eu não temia ir para aquele lugar, afinal, eu era o segundo melhor aluno na minha classe, claro, tinha 7 anos, mas quando se cresce no Império do Medo, você tem que amadurecer rápido.
- Ana Fernandes Costa é a escolhida de nossa classe, ela teve a pior nota dessa sala. – Ele falou com tom de frieza, senti meu coração gelar nessa hora, eu não poderia aceitar isso. Ana Fernandes Costa, a menina mais linda, maravilhosa, doce, meiga, perfeita que existia naquela droga de escola, eu era apaixonado por ela desde os 5 anos, era uma menina maravilhosa, ela sempre era gentil comigo e éramos bons amigos, eu queria ser mais, e eu sabia que ela também, mas a vergonha impedia, coisa de quem ama. Mas apesar de ser a garota que eu mais amava no mundo por ser tão perfeita, ela era ruim para aprender coisas na escola, ela não era burra, era não era medíocre e nem preguiçosa, mas tinha dificuldade para aprender coisas como história, matemática, gramática e mais importante: telecinese, era péssima em telecinese, pois não tinha o mínimo de concentração e era hiperativa, era do tipo de pessoa que vai péssimo na escola e vai bem em todo o resto, mas naquele caso, era a escola que importava, pois era o jeito que arranjavam para testar nossa força de vontade, éramos obrigados a estudar e treinar telecinese, pois o medo de tirar a pior nota da sala e morrer era grande demais. É fácil fazer um país se desenvolver quando há o ensino obrigatório, e quando quem não é bom o bastante acaba morrendo, todo mundo acaba estudando, mesmo odiando, afinal, entre estudar e morrer, melhor estudar. Já ouvi falar de analfabetismo, coisa que existe em outras cidades, mas não aqui em Hitohell, mas aqui é o contrário, Hitohell é o Império do Medo, claro que fazem isso em boa parte continente, como eu aprendi com geografia, mas não em todas, afinal, manter um sistema educacional desse é bem caro, em compensação, ignorante eu não era.
- Por favor, não, eu posso melhorar. – Ana começou a chorar, desesperada, pedindo para continuar viva, com lágrimas que rapidamente saíam de seus olhos, meu coração tremia naquele momento, eu olhei para ela, olhei junto com todos os outros, minha amada Ana chorava, ela estava com medo, e eu não queria que ela morresse, eu não queria, ela era realmente muito especial para mim, mais do que uma amiga de infância, era minha companheira para todos os momentos, eu não pude evitar e disse bem alto:
- Não toquem em Ana.
- Aluno Alexiel Dracole Nunziati, a menos que deseje ir junto com a aluna Ana para o sacrifício a nosso senhor, irá calar a boca e se colocar em seu lugar. – Aquele professor, George Crocker parecia ter um coração de gelo, se no passado, os soldados do terrível ditador Tonny eram os vilões que todos temiam, os professores eram os vilões cruéis de minha época, TKs de elite bem pagos que podiam derreter seu rosto caso tentasse desobedecer suas ordens, fazer bagunça ou até mesmo colar da tarefa dos outros.
- Eu não vou deixar que ela morra. – Eu me levantei, talvez estivesse louco, afinal, eu estava desafiando George Crocker, um homem que conseguia controlar energia o bastante para arrancar meu braço se eu desse problemas, eu realmente estava louco, mas eu não podia me imaginar vendo Ana morrer, eu não podia, eu precisava fazer algo, havia revolta em meu coração desde a primeira vez que vim um ritual de sacrifício, aos 5 anos, de algum modo, eu acreditava que havia um modo de acabar com aquela chuva de sangue. Meu coração estava ainda mais acelerado, aquele homem de um metro e noventa e músculos fantásticos me encarava sem demonstrar qualquer emoção, foi quando senti alguma coisa vindo e desmaiei, eu não sei o que ele falou depois disso, mas tenho certeza de que não foi nada bom.
Quando acordei, me vi amarrado em um poste, em outro poste estava Ana, que gritava por socorro constantemente, com a voz carregada de desespero, havia uma multidão em volta, sádica, admirando aquele show, do nosso lado, estavam George e o carrasco da cidade por perto, e o pior de tudo, mais 3 postes com duas pessoas em cada amarradas. Era assim na praça de Hitohell, quatro postes onde eram amarradas as pessoas no fim de cada ano, os sacrifícios não ocorriam todos de uma vez, geralmente aconteciam em três vezes com 4 pessoas em cada, aquele festival de fim de ano era chamado de “Festival Tenshikyu”, ocorria no mesmo dia em que as vítimas eram declaradas, para que fosse garantido que ninguém poderia fugir, e que as famílias não ficassem sabendo da identidade das vítimas até o momento da morte. Eu vi meu pai em cima do palácio do general, em frente ao poste, ele não gritava para que parassem, estava bem claro que o povo era conformado, mas ele deveria ao menos ter estranhado o fato de eu, que sempre um aluno exemplar, estar naquela situação, mas do jeito que meu pai era, não duvidava de que ele fosse gostar daquilo.
- Deprimente, meu suposto filho, nunca esperei que ele fosse nos decepcionar tanto, nem meu filho deve ser. – Meu pai falou muito alto, para que eu ouvisse, o general Alexander era um homem realmente cruel, todos os generais que seguiam o Kinezismo faziam tudo que era mandado, coisas como os rituais de sacrifício, mas foi meu pai que criou o sistema estudantil de extermínio atual, há uns 30 anos atrás, antigamente, os únicos sacrifícios eram os alunos baderneiros, não os que tinham más notas, o que mantinha a ordem nas salas e não causava tantas mortes. Eu tinha 3 irmãos, um já tinha 30 anos, outro 10 e outro 45, os mais velhos trabalhavam no exército e disputavam pela atenção de nosso pai, já eu, estava apenas treinava para me tornar um telepata poderoso, não um mero TK, mas eu não queria a atenção de papai, que sempre nos tratou com frieza e grosseria, eu queria poder mudar o pensamento das pessoas através da telepatia, convencê-las de que o que acontecia era errado, eu queria abolir o Kinezismo, aquele grotesca religião banhada em sangue do sacrifício de humanos inocentes, queria salvação dos homens. Mas claro, telepatas em nosso país eram a coisa mais rara, nunca vi um ou ouvi falar de algum, mas cheguei a ler sobre a Telepatia no “Livro Vermelho”, um livro feito sobre a vida do General Kinesis com várias explicações, o homem que os Kinezistas veneravam como Deus, o grande Harudo Kinesis eraum praticante da telepatia, a telepatia que ele conseguia praticar funcionava através da utilização de espíritos como mediadores. É um ótimo livro, apesar de tudo, foi feito por um grande TK que analisou os registros históricos da época do general, e escreveu um verdadeiro manual máximo da telecinese e das outras artes psíquicas, foi uma análise, ele nunca consegue decifrar o porque exato do general ter sido um prodígio tão incomum, mas ele conseguiu explicar como funcionaria a telepatia do general, o único grande caso que foi registrado por fontes seguras em toda a história, ele manipulava massas de energia prânica que pertenciam ao outro lado, ao outro plano, era como se fosse uma ligação entre o físico e o psíquico, Harudo poderia usar essas massas, espíritos, sei lá o que, como pontes para transferir qualquer tipo de pensamento, tanto para ler mentes, quanto para enviar seus pensamentos, o dado passava do outro plano para o nosso e depois voltava para ele, só agora na área da vítima, isto é, sua mente. Essas informações sempre me levaram a pensar em como uma pessoa normal faria para conseguir transferir seus pensamentos e ler mente, e cheguei a conclusão de que bastaria haver uma ligação, o problema era que tipo de ligação seria essa.
- Pai, por que me abandonastes? – Falei, estava com medo também, até o momento eu praticamente estava tomado por um sentimento de revolta, mas era como se não tivesse caído a ficha, foi nessa hora que percebi que eu iria morrer se não fizesse alguma coisa, e comecei a chorar.
- Você não é meu filho! – Foi a resposta dele, sempre fria.
- Não estava falando com você, tava falando do Lupin Drach. – Disse a única coisa que eu não poderia ter falado, é uma história bem trágica e grotesca de se conta. Um ano antes do meu nascimento a minha mãe teve relações com um lobo da espécie mitológica Lupin Drach, ele era praticamente o animal principal de nossa mitologia, as pessoas acreditavam que ele era um animal que tinha a capacidade da telepatia. Minha mãe disse que eu era filho do lobo, certamente louca, mas confessou, interrompendo meu pai em um discurso, disse que tinha sido atacado pela fera, que a hipnotizou e a convenceu a se deixar abusar, de acordo com ela, a fera disse mentalmente:
“Deixe-me fazer um filho com você, para que esse seja o grande senhor dessa humanidade falha”
Obviamente minha mãe estava sob o efeito da erva da maconha, mamãe era totalmente viciada em maconha, tinha alucinações toda hora pois fumava demais, e o pior é que meu pai não fez nada para que ela largasse o vício, chegando ao extremo dela achar que eu era filho de um animal que nem existe. Mas claro, meu pai ficou muito bravo com aquela história, mesmo sendo um homem frio, ele a matou na hora com sua espada, claro que o grande general Alexander não precisava de um arma tão primitiva, mas ele não gostava de mostrar sua biocinese degenerativa em público. Eu devia ter uns 2 anos na época, nem sei se mamãe era como meu pai dizia, uma vagabunda drogada, mas o fato é que um costume que todos os grandes de Hitohell tinha era de escrever, tanto que meu pai escreveu no diário dele, incluindo a exata frase que ela declarou ter ouvido da fera, já que aparentemente era uma frase que combinava com a personalidade de um Nunziati, que ele me obrigou a ler como um pequeno resumo da vida antes de meu nascimento, mas eu não sinto nenhum afeto à imagem ou lembrança dela, o que me faz pensar que realmente ela não foi alguém importante pra mim. Ele deixava bem claro que me odiava, pois mesmo que ele não acreditasse na história, o povo ignorante realmente achava que o general havia sido corneado com um lobo, e isso o deixava furioso, ele podia mandar matar pessoas, podia sacrificar crianças, mas não podia fiscalizar tudo que as pessoas falavam, sendo essa a principal piada que as pessoas usavam para insultá-lo quando sabiam que ninguém estava escutando, o que o deixava irritado, realmente humilhante, ele também me deixou bem claro o porquê para me manter vivo:
- Um filho do Lupin Drach como você deve ter algum futuro, se você for realmente filho dele, se mostrará um TK fraco, pois animais são fracos, mas se for meu filho, irá ser um grande TK, pois eu sou forte, eu sou Alexander Nunziati.
De qualquer modo, minha mãe só veio a se envolver com drogas uns 3 anos antes eu nascer, foi começando as poucos, sendo uma boa mãe para os outros filhos que vieram antes, e depois se perdendo na droga e ficando totalmente louca e irresponsável.
- O que você disse? – Ele me olhou como um tirano bravo.
- Sou filho do Lupin Drach, não é isso? – Não tinha nada a perder, embora eu chorasse ao mesmo tempo que falava.
- É, você é. Agora comecem a cerimônia, e inicie por esses dois, meu filho e a garota. – Ele gritou dessa vez, sua voz era trovejante e impunha respeito ao povo oprimido.
- Pai, me ajude! – Gritei com toda a força que tinha, não sei o que eu tinha na cabeça pra falar isso, mas sabia bem o que estava planejando, eu ia usar a arte que treinei por anos, a capacidade de transferir meus pensamentos para as pessoas, a arte da telepatia, geralmente ninguém poderia desenvolvê-la sem treinos absolutos e absurdos, mas eu desenvolvi a telepatia com uma facilidade bem maior, claro que treinei absurdamente também, mas eu tinha técnica, eu sabia como fazer, e conseguia treinar em meus sonhos, por isso, acabei conseguindo alcançar o nível para fazer os outros ouvirem meus pensamentos, mas não cheguei a conseguir ler as mentes alheias, pelo menos, a maioria delas. Ninguém sabia que eu treinava telepatia, pois o fazia escondido, eu transferi para meu pai, com uma pseudo-voz mental extremamente grossa e respeitosa, mais do que a dele, uma mensagem, me passando pela única pessoa que poderia me salvar:
- General Alexander Nunziati, sou Harudo Kinesis, o Deus para quem serão sacrificados esses garotos. Eu observei a mente de cada um deles, e vejo um certo potencial em dois deles, o garoto de cabelo e olhos cinzas e a moreninha de olho puxado, quero que mantenha eles vivos e mande para a floresta dos Lupin Drach, onde os lobos uivam à noite e a serpente pica sua vítima, onde viverão como animais, aprendendo a sobreviver. – Eu me fiz passar pelo Deus que tanto despreza, mas não ousei dizer para soltar todos, meu pai acabaria suspeitando.
- Parem a cerimônia. – Meu pai gritou, acreditando que estava falando com seu Deus, todos olharam para ele, o carrasco que já estava vindo para cima de mim com sua faca, certamente iria cortar nossos pulsos para que sangrássemos até a morte, eles adoravam fazer isso.
- O que foi, general? – O carrasco perguntou.
- Deus está aqui, e ele quer que dois dos garotos sejam libertados e mandados para a floresta Lupin Drach, onde irão viver para ser tornarem soldados selvagens lutando pela própria sobrevivência.
- Mas acho que talvez fosse mais interessante se todos fossem livres nesse ano,veja, se essas crianças se tornarem soldados, irão matar tanta gente que nem precisaremos de sacrifício nesse ano. Mas eles deverão ser mandados pra realmente viverem como animais, pra se tornarem fortes e frios, quem sabe assim recuperamos suas mentes para alguma coisa útil. E pense bem, nós mandaremos eles como frente de guerra, assim, mesmo que não sejam recuperados, irão morrer do mesmo jeito. – Tentei salvar a vida de todos, eu odiava ver pessoas inocentes morrerem, mas eu estava me arriscando, sem falar que não era fácil mandar mensagens telepáticas para aquele maldito ditador. O público estava agitado mentalmente, nervoso com a suposta presença de Deus, mas todos estavam calados, havia muito respeito naquele local, embora esse respeito se chamasse medo.
- Mas se as crianças não temerem a punição de morte, elas não irão ter um comportamento exemplar, não estudarão, não treinarão telecinese, se eu tirar os sacrifícios, esse país vai virar uma bagunça. – Ele acreditava em Kinesis, mas também acreditava em si mesmo e em sua inteligência, pois insistia em argumentar, por telepatia também,, dessa vez eu estive um pouco surpreso, mas o fato é que embora eu não pudesse ler a mente de uma pessoa como Alexander naturalmente, ela estava falando comigo, essa era sua intenção, então eu podia ouvir sim o que pensava por telepatia.
- Não faremos isso outra vez nem em outro lugar, essa anistia só ocorrerá hoje e aqui, os sacrifícios contra as más ou incompetentes crianças continuarão, e essas pestes irão sofrer bastante, como merecem. Mas agora eu desejo que faça isso, e se discordar, serei obrigado a punir você e seus fracos subordinados. – Eu estava fingindo com tanto empenho que já estava quase acreditando, meu pai podia ser esperto, mas usa fé cega era seu ponto fraco.
- Libertem todos, é uma ordem, Deus. – Alexander ergueu seu braço, a pele do carrasco começou a ficar vermelha, e logo estava com uma ferida na pele.
- Sim senhor. – O carrasco sentiu medo, pois o general havia usado sua biocinese degenerativa em seu braço, o que significava que ele teria que se apressar para desamarrar as crianças.
- Muito bem, irei embora agora, só apareci para você para dizer isso, Catarina está me esperando. – Eu falei como se fosse Kinesis e me desliguei da mente de meu pai, supostamente, Catarina teria sido a irmã adotiva de Harudo Kinesis, ela seria a segunda divindade principal dentro do Kinezismo, a vice líder dos Tenshikyus, divindades a quem eram oferecidas as pessoas que morriam. Nessa altura, eu já estava fora do poste, me distanciei um pouco e esperei que Ana fosse libertada.
- Deus se foi, lembrem-se crianças, caso tentem qualquer gracinha, irão morrer, ninguém consegue vencer o general e seu exército, eu sou Alexander Nunziati, servindo o grande deus General Kinesis! – Nunziati estava bem animado, gesticulava muito enquanto falava, ao mesmo tempo, apontava para os soldados em cima das casas, eram muitos deles, e cercavam o local, qualquer tipo de revolta significaria morte, sem citar que meu pai era um general poderosíssimo, poderia fazer minha cara desaparecer tão bem quanto se fosse decomposta por bilhões de bactérias durante bilhões, então não seria bom tentar fugir, disso eu tinha total noção.
- Alex! – Ana correu para mim quando foi libertada, me abraçando com calor, foi o melhor abraço que eu tive em toda minha vida, ela se agarrou a minha com toda força, que achei que nunca mais me largaria, ela chorava emocionada, ela não sabia o que dizer, e muito menos eu, que estava com bastante vergonha, mas ao mesmo tempo era uma sensação boa
- Crianças, fujam, fujam, e não voltem aqui, se forem vistos em qualquer cidade, incluindo essa aqui, antes de 5 anos, serão mortos, todos mortos, então vão, vivam como animais, rastejem e se tornem soldados, e lembrem-se, qualquer tipo que de quebra das regras será punido com a morte, de preferência, fritando a cara de cada um de vocês com uma chapa bem quente. – O general gritou, e todos saímos correndo, não tinha chance para ficar esperando, a essa altura já tava todo mundo livre, nem sei dizer bem quanto tempo passei abraçado com Ana, mas quando corri, segurei em sua mão, como se fossemos voar juntos, e realmente iríamos, para um lugar muito ruim, a floresta Lupin Drach.
Corremos rapidamente, eu deveria estar sentindo terror, ia para uma floresta cheia de lobos famintos e serpentes venenosas prontos para acabar comigo, mas eu me sentia feliz, eu estava correndo ao lado da mulher que eu amava e estava livre, livre daquela maldita escola assassina, daquela ditadura, estava correndo livre pela cidade em direção a um local sem os estúpidos homens e sua fé imbecil.
- Obrigado Alexiel, eu amo você. – Ela me falou enquanto corríamos, era a melhor coisa que poderia ouvir, ela sorriu para mim, mesmo naquela situação, e isso só podia significar que ela também gostava de mim como eu gostava dela.
- Também te amo, Ana, sempre te amei e sempre irei te amar. – Eu sorria, morrendo de vergonha, se havia algum tipo de amor verdadeiro, aquilo que eu sentia era.
Quando entramos na floresta, todos juntos nos organizamos em local com menos árvores naquela mata fechada, lá nós estabelecemos, eu era o líder, estava tarde e decidimos que todos iríamos dormir, exceto eu, que ficaria acordado vigiando, o trato era esse, durante os próximos anos, cada um passaria uma noite sem dormir, vigiando os que dormiam, protegendo contra predadores e avisando caso qualquer perigoso surgisse, então fiquei de pé e de olho em quanto os outros estavam deitados em seus cantos nada confortáveis, seria uma longa noite pela frente.
Aquela floresta era fabulosa, apesar de ser um local bastante perigoso, as árvores eram grandes, de troncos grossos e compridos, eu estava na mata fechada, com bastante mato nos meus pés, um espaço bastante pequeno entre as enormes plantas, as folhas eram vistas lá no alto, onde podia se ver os ninhos das pequenas aves, havia algumas corujas voando debaixo das folhas, eu vi uma delas atacar um dos pequenos animais com crueldade e elegância, levando o pobre passarinho para ser devorado entre suas garras imponentes, eu estava apoiado em um tronco bastante duro, entre um dos poucos espaços livres daquele lugar cheio de vida. O chão era bem macio, terra úmida, não dava pra ver nada direito, já que as flores escuras das árvores altas faziam bastante sombra e deixavam o local muito escuro, ainda mais de noite, mas dava para ver algumas coisas sem muita nitidez, mas era fácil ver a grande quantidade de folhas secas no chão, pois faziam bastante barulho quando pisadas, também havia frescas e verdes, mas essas não eram fáceis de se ver. Cipós pendurados nos galhos, cheiro de terra molhada, os ruídos da noite eram basicamente feitos por grilos e pelas corujas, eu podia sentir a sensação de caça noturna, estava envolvido, ouvindo passos sobre as folhas, estava envolvido naquela sinfonia selvagem quando ouvi um uivo penetrante atravessando a floresta, os animais da noite eram discretos, e em geral, eu só via as pequenas aves e as corujas, que faziam bastante barulho, mas em uma das árvores ao meu redor, havia um buraco, dentro dele não dava para ver nada, mas logo, um pequeno animalzinho saiu de dentro, mas não vi o que era, pois ele foi rápido e estava escuro. Eu vigia com total atenção, mas a única coisa que chegava a me preocupar era o uivo que tinha ouvido, afinal,todos sabiam que a floresta Lupin Drach tinha esse nome por causa dos lobos que lá habitavam, mesmo sendo “filho de um deles”, tinha medo de ser devorado vivo, isso levando em conta os animais que sabia que havia lá, pois também poderia haver insetos venenosos, cobras e predadores bem piores, mas eu imaginava que os passos distantes nas folhas pudessem significar algum tipo de problema, isto é, uma morte rápida e dolorosa.
Ouvi os passos se aproximando, não ousei acordar meus companheiros, mas vi um animal cinza saindo das árvores, um maldito lobo cinza, o animal mais temido das redondezas, atacava rebanhos, matava pessoas covardemente, eles costumavam atacar de surpresa, por trás, e foi com esse conhecimento sobre zoologia que percebi que havia outro daqueles animais chegando por trás, foi quando tive uma boa idéia. Usei telepatia para mandar mensagens para ambos os animais, já que a telepatia poderia funcionar através de intenção, não só por palavras, então os bichos entenderiam a minha intenção. Uma coisa que esqueci de comentar é que às vezes eu treinava telepatia com animais nas ruas, mais exatamente, cachorros, sim, eu tentava dar ordens para eles no formato de telepatia, tentava controlá-los à distância, apesar de parecer louco e ter demorado muito tempo até conseguir fazer um dos bichos vir para mim, eu cheguei a desenvolver a capacidade de realmente me comunicar com eles. Eu treinava mais energia quando estava na cama ou em qualquer momento livre, às vezes até enquanto fazia outra coisa, mas o fato é que se eu consegui me comunicar com cachorros mentalmente, para falar com os lobos, só seria outro passo, mas eu sabia que não seria tão fácil quanto dar ordens a um poodle de 20 cm.
- Irmãos, somos iguais, não nos ataquem, caçaremos juntos, somos da mesma espécie, lobos. – Mandei a mensagem telepaticamente, me concentrando na intenção e não nas palavras, era assim que eu fazia para falar com os animais. Obviamente eu não recebi nenhuma resposta, apenas olhei para trás e vi aquele enorme canídeo cinza bem perto de mim, me encarando sem atacar, estiquei meu braço, me concentrando na mensagem.
- Iremos caçar juntos, roubaremos as ovelhas das fazendas dos arredores. – Eu me referia às criações de animais comuns tanto em Hitohell quanto em suas redondezas, era bem natural que houvesse animais andando nas ruas e pequenas cercas nos quintais de casas guardassem animais, o que explicava o ódio mortal de todas as pessoas pelos animais, que viviam atacando a cidade, e muitas vezes eram bem sucedidos. Sabem por que ninguém ousava derrubar a floresta para acabar com a praga de lobos? Ninguém tinha coragem de tocar na floresta onde dizia-se ter nascido a humanidade, afinal, era sagrada até mesma no Kinezismo, bando de religiosos estúpidos.
Aqueles dois animais ficaram me rondando, então pararam e foram dando lentos passos até um de meus companheiros dormindo,Pedro.
- Eles são como eu, como nós, seremos todos companheiros, iremos juntos dominar a cidade e devorar todos os animais lá, haverá banquetes para todos nós, viveremos como os homens ou melhor. – Eu tive essa idéia, se eu tivesse controle sobre os lobos, acabaria conseguindo usá-los na invasão que faria à Hitohell em alguns anos, e além disso, evitaria que devorasse meus amigos, e foi bem nessa hora que o Pedro acordou, com o canídeo fungando em suas pernas, dando um grito absurdo, o que resultou em uma mordida que quase arrancou sua perna, isso acordou todos os outros, e eu tive que gritar em português.
- Parem, eles não farão mal, eu fiz amizade com os lobos!
E ao mesmo tempo disse telepaticamente pro lobo que mordeu o menino:
- Não o morda, ele é nosso irmão, mas o assustou. – Eu falei com tom de repreensão, de algum modo, mesmo com todos acordados, eles nem chegaram a gritar, pois expliquei a situação rapidamente e qualquer idiota sabia que não deveria gritar de susto em uma floresta, pois isso apenas atrairia mais predadores, e como eu era o líder que havia libertado todos, eles confiavam em mim e sabiam que eu tinha controle sobre a situação. Esqueci de dizer que durante nossa organização na floresta, eu contei que fui eu que falei com o general para permitir que todos fossemos libertados, e expliquei como, o que garantiu 100 por cento da confiança de cada um. De qualquer modo, era difícil fazer isso quando o menino gritava de dor, mesmo que o lobo já tivesse soltado sua perna, corri até meu amigo idiota e tampei a boca com minha mão.
- Estúpido, não grite, estamos em uma floresta. – Deixei bem claro a situação, estiquei meu braço para a fera mais próxima e acariciei sua cabeça, ele aceitou como se fosse um cachorrinho e lambeu minha mão, a aliança entre os lobos e nós estava feita.
- Assim como os miseráveis Kinezistas se auto-denominam assim, eu nos declaro como a grande resistência, somos os Drachen! Somos todos Drachen, assim como as lendas falam sobre o Lupin Drach, o lobo inteligente que teria o poder da telepatia e os dons da mente, assim como o nome dessa floresta, nós seremos como a evolução desses animais lendários, fortes e inteligentes, e Drachen se tornará sinônimo de força, inteligência e justiça! Eu me batizo de Alexiel Dracole Drachen, renegando o sujo nome Nunziati, e cada um de vocês será batizado, para que nós e nossos irmãos lobos possamos voltar e fazer com que Alexander Nunziati pague por tudo que nos fez. Teremos a nossa liberdade de volta, e podemos correr livres à noite sem sermos mortos e sacrificados. – Sim, eu falava ao mesmo tempo com palavras reais e intenções telepáticas, todos os meus companheiros se levantaram, incluindo Pedro, mesmo estando machucado e sentindo dor, ele encontrou forças para se recompor, foi quando finalmente percebi que havia nascido pra ser um líder.
Cada uma das pessoas ali presentes veio até mim, cada um foi batizado em nome de Drach, removia-se o sobrenome de cada um dos membros e o substituía por “Drachen”. Ao final da noite, fizemos um grande juramento juntos, eu o escrevi nos troncos das árvores que nos cercavam, escrevendo o máximo que podia em cada um, para que todos pudessem ler.
“ Somos Drachen, como um Drachen, eu juro, para buscar a minha perfeição física e mental, seguirei as leis que foram definidas na floresta dos lobos, a floresta Lupin Drachen:
Admitirei que não há nenhum Deus, nem no céu, nem na Terra e nem abaixo dela, além de mim mesmo, como Drachenista, eu sou meu próprio Deus, meu próprio guia, e que o General Kinesis é apenas uma farsa utilizada para impor o medo sobre o coração dos tolos.
Não permitirei que os outros se metam em minha vida, não permitirei que os tolos tentem me influenciar, fazer minha cabeça ou mudarem meus atos
Não me importarei com críticas alheias, uma vez que apenas minha opinião seja a única que me importa, a menos que essa crítica possa ser construtiva.
Serei fiel a meus irmãos drachenistas, tanto os homens quanto os animais, aqueles que forem meus companheiros em minhas ações, e farei de tudo para protegê-los, agindo em conjunto com eles para obter o que desejo.
Irei lutar pelo meu desejo e adaptar o meu mundo a mim mesmo, irei buscar e alcançar meus objetivos usando minha inteligência, força e discernimento, impondo minha opinião sempre que eu conseguir, mas sem insistir caso seja impossível.
Serei capaz de analisar opiniões, situações e idéias, não terei a mente fechada, irei buscar novas idéias e ser capaz de inovar e de ser um pioneiro.
Não farei o mal às pessoas gratuitamente, nunca farei mal àquele que é inocente, mas caso eu seja prejudicado, terei o direito de me vingar do modo que for justo, baseando-me na justiça Drachenista, cada um deve receber de volta o mal ou o bem que dá.
Serei inteligente e racional, e buscarei o conhecimento e a perfeição intelectual, sem me ligar à superstições tolas, fé cega ou ceticismo estúpido, serei capaz de ver o que é real, o que tem futuro, o que pode ser útil, serei sábio, ou pelo menos buscarei ser, saberei ouvi r mas saber impor minha opinião.
Buscarei ser forte e não serei preguiçoso, estarei pronto para subir grandes montanhas e para trabalhar por longos dias, meu corpo é uma de minhas mais poderosas ferramentas, e para seu ser um homem forte, um homem que se destaca, irei buscar a força física além de tudo.
Com todas essas palavras, eu nego qualquer outra coisa e declaro minha futura perfeição e justiça, meu nome é Drachen”
- Expliquei que onde estava escrito “Com todas essas palavras, eu nego qualquer outra coisa e declaro minha futura perfeição e justiça, meu nome é Drachen,” ao invés de falar “Drachen”, a pessoa deveria falar o próprio nome dado no batismo, o nome drachenista. Assim surgiu a igreja drachenista, todos foram batizados e fizeram o juramento, a minha intenção era só nos unir como um família, os dois lobos que estavam também foram batizados, mas não fizeram o juramento, já que não sabiam falar, mas eu os batizei respectivamente de Lang e Suyar, Suyar era o que tinha mordido Pedro Drachen. Com os dias se passando, conseguimos formar amizade com mais lobos,nossa sociedade entre homem e animal era perfeita, nós todos caçávamos em grupo para buscar comida, e com nossa ajuda, eles conseguiam muito mais comida do que costumavam ter, pegávamos principalmente veados, que era o animal mais comum na floresta de Lupin Drach. Sobreviver estava sendo algo duro, mas não complicado, já que éramos irmãos dos maiores predadores daquele local , nós costumávamos nos reunir para treinar telecinese e telepatia, e eu expliquei para todos como deveriam fazer caso quisessem treinar antes de dormir e durante os sonhos. Pedro era o único do grupo que não parecia ser uma pessoa feliz com aquela vida selvagem e com o sonho de fazer justiça em Hitohell, ele nunca sorria, ela nunca ria, ele parecia um robô, sempre com o mesmo rosto sem expressão, isso não era um problema, mas era estranho, o pior é que os pensamentos deles eram confusos e eu tinha dificuldades para ler sua mente, um dia, perto dom fim do primeiro ano, sempre tentando e falhando ao invadir seus pensamentos, eu perguntei:
- Pedro, por que não consigo ler sua mente? Sempre que tento, só consigo ouvir vozes e caos, nada que faça o mínimo de sentido.
- Sou um psyvamp, irmão Drachen, por mais que eu queira ser um Drachen completo, ainda serei um psyvamp. – Ele me falou bem sério, como sempre.
-O que é um psyvamp? – Eu realmente não sabia, ninguém sabia, Pedro era o primeiro psyvamp oficial da história.
- Uma pessoa que drena energia, eu dreno energia das árvores, dos animais, até dreno de vocês irmãos, é meu dom, mas isso me deixa louco, pois junto com a energia, vem naturezas que podem deixar minha mente confusa, e uma vez que eu seja viciado no vampirismo psíquico, a arte de roubar energia, eu acabo tendo uma mente tão bagunçada que nem você consegue ler.
- Como sabe que drena energia? Você rouba nossa energia? Por que? – Eu perguntei preocupado, aquilo parecia prejudicial, isso explicava por que ele insistia em dormir distante de nós na maiorias das noites, mesmo sendo perigoso,e eu, como um líder democrático, sempre permitia.
- Eu sinto, eu sinto a energia entrando em mim o tempo todo, mas eu não queria, é inconsciente, isso me faz sofrer, é como uma maldição, até criei esse nome estúpido, psyvamp, para descrever essa minha natureza parasita.
- Então nós treinaremos para controlar essa habilidade. – Eu propus, e ele aceitou de
Nos desenvolvemos, mas infelizmente alguns companheiros morreram por causa de uma cruel doença que infestou todos nós, os sobreviventes se tornaram TKs habilidosos em apenas 3 anos de treinamentos, acho que o contato com a natureza e a distância da sociedade nos deixava mais próximos do oculto, e isso fazia com que tudo fosse mais fácil, pois era como se fossemos todos ligados à energia das árvores dos animais, e conviver com os lobos cinzas era mais um fator que nos ajuda, mas aí vai a lista dos membros da família Drachen após a doença:
Alexiel Drachen, ou simplesmente Drachen, 10 anos, especialista em telepatia , biocinese e geocinese, obtive um forte controle sobre materiais através de geocinese, e sobre células, através da biocinese, eu já tinha a capacidade de me comunicar com telepatia totalmente desenvolvida, e já sabia ler mentes humanas, minha habilidade de persuasão psíquica cresceu muito durante esses anos, e meus irmãos lobos eram quase como uma parte de mim, pois tínhamos uma ligação muito forte, aqueles animais eram parte de minha família e ao mesmo tempo uma ferramenta sobre a qual eu tinha controle, embora eu os amasse de verdade. Ana Drachen, 10 anos,que até se tornou minha namorada, algo que me fazia muito feliz, já que eu a amava muito, mas bem, ela era especialista em pyrocinese, conseguia fazer com que as coisas entrassem em combustão com toda a facilidade e à distância, e também tinha a capacidade de se comunicar telepaticamente com os Drachen, na verdade, todo Drachen tinha a capacidade de se comunicar telepaticamente com seus irmãos à média distância, exceto eu, que podia me comunicar com qualquer um, Ana era bem ruim na telecines,e mas levando em conta o treino doentio que ela seguia na floresta Lupin Drach, não foi tão surpreendente que conseguisse superar suas dificuldades e se tornar uma boa TK. Pedro Drachen, 12 anos, no começo ele era péssimo, mas acabou se mostrando o Segundo melhor do grupo depois que aprendeu a controlar o vampirismo psíquico, ele sabia termocinese, ele podia mudar a temperatura das coisas, podia fazer parte da água do ar congelar, e ao mesmo tempo tinha telecinese, podendo mover o que congelava, mas claro que ele também podia aumentar a temperatura até as coisas entrarem em combustão,mas não era bom como Ana, e também tinha seu vampirismo psíquico que podia matar serpentes secando-as de qualquer energia. Raul Drachen, 13 anos sabia apenas a telecinese comum, movia objetos à distância, mas tinha um controle muito bom nisso e podia mover coisas razoavelmente grandes. Fidel Drachen,11 anos, não sabia nada, por mais que treinasse, não conseguia passar da telecinese básica, então acabou aprendendo a ser um lutador, tinha uma clava que ele mesmo fez, com uma ponta, usava-a para caçar e para treinar combate físico sozinho. Saddam Drachen só tinha eletrocinese, ele conseguia controlar perfeitamente a energia em seu corpo e de qualquer coisa em que tocasse, mas não conseguia liberar as descargas, a solução para isso foi a utilização de uma vareta de material condutor, que funcionava como uma antena para lançar a eletricidade de seu corpo para fora. E Letícia Drachen que tinha aerocinese, sabia manipular moléculas de vento para fazer as coisas se mexerem, de fato, era péssima nisso e não conseguia manipular muito vento, mesmo com treinamento, mas em compensação, conseguia manipular com perfeição, isto é, só conseguia controlar o vento em pequenas quantidades, mas controlava de verdade.
Até o último dia de exílio, treinamos severamente, melhorando ainda mais e desenvolvendo nossas habilidades, éramos irmãos de todos os lobos da floresta e éramos irmãos uns dos outros, embora eu namorasse Ana, e Letícia namorasse Fidel. No grande dia em que poderíamos voltar para a cidade, nem fomos, na verdade, fizemos a reunião na terceira noite após o prazo, à essa altura, minha telepatia estava realmente muito desenvolvida e eu já tinha a capacidade de hipnotizar combinando-a com biocinese e geocinese, para afetar o cérebro e os pensamentos das vítimas. Estávamos todos reunidos no lugar de sempre, incluindo nossos 20 lobos mais próximos, era noite as corujas cantavam alto, o céu estava sem estrelas e a sensação que eu sentia era uma profunda ansiedade.
- Bem, espero que saibam o que devemos fazer, nós temos um plano para a grande invasão. Primeiramente, eu irei com Lang e Suyar, eu irei hipnotizar algumas pessoas e tentar levá-los para o general como se fossem domesticados, como animais possivelmente usáveis para a guerra. Vocês se distribuirão pela cidade, Raul e Letícia na feira de carnes, Ana e Fidel na feira de verduras, Pedro e Saddam na praça. – Eu começava a organizar o plano, que era bastante simples. – Vocês ficaram nesses locais prontos para receberem mensagens telepáticas minhas, caso isso aconteça, eu darei as ordens para a situação. Caso eu não precise de ajuda, eu nem direi nada, meu plano é entrar em contato direto com o general e hipnotizá-lo com minha biocinese cerebral. Estão comigo?
- Sim, todos gritaram ao mesmo tempo, animados, levantando as mãos.
No dia seguinte, fomos todos para a cidade, levando além de pessoas, Lang e Suyar, os outros irmãos lupinos ficaram no mato, a onde pertenciam, mas de onde sairiam. Eu fiquei no meio do caminho com os animais e deixei que os outros chegassem antes. Esperando um tempo, segui viagem, chegando na cidade, muitas pessoas comentavam em voz alta coisas como “vejam, o último sobrevivente chegou” e “o escolhido por Deus finalmente voltaram”, não esperava ser tão bem recebido, mas as pessoas não se aproximaram, pois tinham medo dos lobos, o que adicionava comentários como “ele está levando aqueles demônios” e “o que está fazendo com esses malditos lobos aqui?”.
- Estou trazendo para vender ao general. – Respondi, não queria ser detido por levar os animais mais odiados do mundo para a cidade, mas logo, vi um daqueles policiais comuns na cidade, os policiais de Hitohell eram bons, pois mantinham a ordem e matavam criminosos, em compensação, era ruim, pois oprimiam as pessoas.
- O que faz com esses lobos? – Ele perguntou, segurando fogo nas duas mãos, obviamente um TK especialistas em pyrocinese, queria deixar claro que não permitiria nenhuma quebra das regras, eu sabia disso, pois podia ler sua mente.
“Me leve ao general, me leve até ele”
Influenciei a mente dele, felizmente, meus bichinhos eram inofensivos a menos que eu mandasse, haviam sido muito bem domesticados, ou melhor, adotados, já que eram meus irmãos.
- Me leve ao general, eu quero ver se ele estaria interessado em comprar lobos de guerra.
- Vamos até o general. – Ele concordou “espontaneamente” e me guiou até onde o general estava, e não era em quartel, mas sim na praça, para minha surpresa, quando eu cheguei, eu vi meu pai conversando com Pedro e Saddam, agradeci o policial e caminhei até de frente ao tirano.
- Pai, feliz em me ver? – Falei com ironia, mas ele sorriu com sinceridade (eu sabia disso pois podia ler sua mente):
- Sim Alexiel, estou feliz por te ver aqui, mas o que está fazendo com essas bestas nojentas? – Apontou para os lobos, de fato, todas as pessoas que me viam andando com ele se afastavam, mas o general não temia que eu e eles fossemos um problema, não para seu grande poder.
- São lobos domesticados, se chama Lang e Suyar, já que estou sem dinheiro e sem nada, queria oferecer uma boa quantidade de lobos que domestiquei na floresta sagrada, vivendo com eles, aprendi a lidar com eles, e controlá-los, deixam de ser o maior inimigo do homem para ser o melhor amigo do homem. Enquanto eu falava, ia injetando informações na mente dele, atacando seus neurônios e modificando seus pensamentos, foi um ataque complicado, manipulando com esforço o cérebro dele, geralmente eu só manipulava os pensamentos das pessoas, mas como ele ficou em silêncio enquanto eu fazia o trabalho, continuei, pois estava funcionando, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral, a partir desse momento, ele se tornou um verdadeiro escravo mental, e faria qualquer coisa que minha mente mandasse.
Naquela mesma noite, o general passou seu cargo para Alexiel Drachen, em um discurso público no alto de seu palácio, eu estava do seu lado, junto com meus dois lobos, com a ordem de mantê-los em segurança e quietos, afinal, eram mansos:
- Eu, Alexander Nunziati, vim aqui declarar ao povo de Hitohell e de toda Umi que eu passo meu grande cargo de general de Umi para meu filho, antigamente conhecido com Alexiel Nunziati, que foi exilado para a floresta Lupin Drach, e agora chama-se Drachen, pois adotou um nome derivado do nosso mítico animal de quatro patas. Assim como declaro Alexiel Dracole Drachen como Drachen, passo a ele a autoridade, agora que minhas palavras não serão mais ordens. – Eu amei fazer ele falar tudo aquilo, ele estava com o cérebro praticamente acabado, foi uma lavagem cerebral completa, e agora eu era general, porque Alexander mandou, e agora, Alexiel mandava.
- Obrigado Alexander, agora eu farei o primeiro decreto, meu povo, e declaro proibidas à caça aos lobos e abolidos os sacrifícios ao Deus Kinesis – Esperava que alguém tentasse me matar, mas ao invés disso, parte daquela enorme multidão me aplaudiu fervorosamente, pelo jeito, mesmo com fé, alguns discordavam daquele rito doloroso.
Como general, acabei me tornando muito poderoso, quando uma pessoa não concordava comigo, eu manipulava a mente dela com minha técnica que eu mesmo batizei de sapiencinese, extremamente poderosa e efetiva, eu a usava em discursos cheios de multidões para impor minha opinião sobre cada cidadão. Coloquei cada um de meus irmãos como pessoas em altos cargos no continente, Pedro era meu vice-general, meu braço direito, e Ana veio a se tornar minha esposa logo cedo, se tornando a mulher do general, a mulher mais importante do continente. Aos poucos, enquanto ia controlando a mente do povo para o próprio bem dele, eu ia banindo o Kinezismo, até que um dia eu o proibi, bani de vez, foi quando ele sumiu do meu continente. Admito que fiz guerras, que não foram difíceis, e acabei dominando Tsuchin, que dei a Pedro, que fez um ótimo trabalho nas batalhas, era um guerreiro excelente, conseguia derrubar inimigos sem nem mesmo matá-los, apenas drenando sua energia tão rapidamente como um buraco negro, ele só não era mais forte que eu por que eu tinha controle sobre sua mente, na verdade, eu nunca cheguei a conseguir ler sua mente, pois a energia psíquica absurda de diversas pessoas que ele roubava sempre deixava a leitura sempre confusa e impossível, mas eu podia mandar meus pensamentos e manipulá-lo apesar de tudo, outra coisa bem interessante é que meu pai acabou se tornando um pastor de ovelhas, tendo uma pequena criação em uma casa na qual ele passou a viver depois de deixar de ser general. Comigo no poder de Umi e ele no poder de Tsuchin, mantemos o reino em paz, sem mais guerras, já havia terras demais no que eu chamei de Tsumi, que não era bem um único continente, mas era um vasto império, meu grande amigo mudou seu próprio nome após se tornar general, tirou o Pedro do nome, e o mudou para Netrom Daemon, ele nunca perdeu aquela face sem expressão, acho que ele era uma pessoa naturalmente fria mesmo, mas era justo, ele me contou que tinha escolhido Netrom Daemon porque significa o “Cordeiro Dragão”, aparentemente uma metáfora contraditória sobre o bem, o mal, a força e a inocência. Mas eu sabia que haveria inimigos em algum lugar, eu bani o Kinezismo, mas eu não tive acesso a todas as pessoas, sei que deve haver alguém conspirando contra mim, que despreza o meu reinado de paz a todos e arrependimento forçado para o mau, os únicos que sabem do meu poder são os meus irmãos, mas nunca se sabe do que o inimigo sabe, e se tenho inimigos que são capazes de oferecer crianças a seu Deus, eu sei que devo ter muito cuidado para não acabar morrendo e perdendo minha preciosa utopia. Sei que controlar o cérebro e os pensamentos das outras pessoas não é algo especialmente correto, mas sei que evitei muitas mortes assim, pois eu fazia isso para impor uma vontade de justiça, de fazer um reino justo e pacífico, sem malditos sacrifícios, até a guerra contra Tsuchin, eu matei menos pessoas naquelas guerras do que as pessoas que estavam morrendo na ditadura do general daquele continente, um incompetente miserável que matava por qualquer coisa, o apelido dele era Dódi O Empalador. Eu cumpri a promessa que fiz aos meus irmãos lobos, hoje em dia, eles andam entre as pessoas nas ruas, se tornou algo natural, humanos e lobos vivendo como iguais, eles se alimentam como os cachorros, a maioria se tornou mascote, pois eu condicionei isso e deixei garantido que eu seria responsável por qualquer animal que fosse agressivo sem motivo, ou qualquer pessoa que agredisse uma das minhas amadas feras, comigo mesmo, só ficaram Lang e Suyar, que já morreram, mas hoje em dia estou criando alguns de seus descendentes, que já estão bem velhos, o nome deles é Wert, Well, Wailmer e Wit. Aboli a pena de morte e adotei um sistema de lavagem cerebral em bandidos, cometeu crime, vem pra mim que eu transformo em um cidadão decente rapidinho com minha sapiencinese. Eu faço esse continente se desenvolver bastante, eu admito o General Kinesis como um genocida cruel, um monstro, mas o reconheço como um libertador também, afinal, foi ele quem mostrou a telecinese para os pobres, acredito que ele não teria sido pior que qualquer outro, então eu até o admiro, mas não poderia aceitar a idéia dele de querer ser um Deus, de ser adorado, de receber sacrifícios de sangue, por isso bani o Kinezismo, e deixei bem claro o que ele realmente era, um homem, que já está morto, sou um homem que acredita no bem, na justiça e na paz, e tudo que faço até agora, foi por essas três coisas. Bem, esse seria o resumo da minha vida, eu não vou explicar detalhadamente como foi minha vida como general, pois tirando as minhas medidas, não foi tão especial, eu vivi trabalhando e com minha Ana, ah, eu realmente amo aquela mulher, e de noite então, não dá pra explicar o que é ir pra cama com aquela mulher, posso ter descoberto o segredo da telepatia e dos animais, mas não descobri o segredo do amor, apenas o sinto com toda a força do mundo, também tivemos um filho, garantimos não ter mais de um, pois poderiam acabar brigando entre si para obter o título de general futuramente, e eu não queria isso, meu filho se chama Amon, e eu ensinei a ele tudo que sabia tanto de telecinese e telepatia quanto de moral e justiça. O Drachenismo é a religião oficial de Umi e Tsuchin, mas as pessoas só a seguem se quiserem, ela não prega a salvação ou a punição divina, apenas ensina como viver, eu sabia que nem todos poderiam ser drachenistas completos, e que não serviria de nada enquanto eu estivesse vivo, mas como é uma religião que funciona como uma filosofia de vida, eu a criei para garantir que após minha morte, meu povo não se deixe enganar por outro fanático, e não caia nas mãos de algum louco, manipulador ou ignorante, que tente impor um ponto de vista estúpido a qualquer custo, assim, o Drachenismo é minha herança pela paz e inteligência. Meu reino se tornou um local de paz pura e compreensão, onde o mau se torna bom à força e o bom vive bem, um reino verdadeiramente justo, mas sei que quando eu morrer, isso vai acabar, e é isso que eu temo, eu queria, que quando as pessoas lessem esse texto, que elas fizessem meu sonho continuar vivo, sei que tudo que fiz foi transformar as pessoas em coisas que elas não eram, mas assim está ótimo, é um preço baixo pela paz e a justiça, então leitor, pense nisso, e siga os meus princípios, os princípios de Drachen, lembre-se que o Drachenista carrega uma forte responsabilidade, e ele deve cumprir seus deveres e buscar a perfeição, para que seja mais fácil para ele, levar seu mundo à perfeição.
- Ai ai, Drachen, seu idiota, como pode achar mesmo isso? Não pode haver paz, o império do medo funciona melhor, eu não posso acreditar em um lugar onde as pessoas vivem forçadas a serem algo que elas não são sendo hipnotizadas, mas posso acreditar em um mundo onde elas são forçadas a ser algo que não são através do medo, quando é tudo perfeito, não há sonho, não há desejo, e sem isso, a vida não é vida, o império do medo faz com que as pessoas desejem coisas que nunca tiveram, como liberdade para fazerem o quiserem, já no seu império hipnótico, elas estaria satisfeitas com qualquer coisa que mandasse, não faria sentido. Alexiel, eu não queria ter feito isso com você, mas é natural do homem nunca estar satisfeito, e como eu não estava satisfeito com a sua falsa paz, tive que levá-lo. Por mais que você tentasse, você não poderia tornar todas as pessoas boas, sempre haveria alguém livre de sua lavagem cerebral, e eu sei disso, porque em Tsuchin, onde você não estava para fazer lavagem cerebral em todo mundo, o império da paz não funcionou, e com você impedindo que eu definisse o Império do Medo novamente, matando quem atrapalhasse a minha paz. – Netrom Daemon falava baixinho no ouvido de Drachen em seu enterro, o pobre homem estava no caixão, e o antigo Pedro estava próximo, já que supostamente era o melhor amigo do falecido general.
- O segredo de Drachen é que ele tem o dom da telepatia, mas ele não tem apenas a telepatia, eu que era dos velhos tempos sei o que ele era capaz de fazer, ele encantava lobos com as alterações que fazia em seus cérebros, e é isso que ele faz, companheiros, altera os cérebros de suas vítimas. Mas tenho usado o dom do vampirismo psíquico para roubar energia dele todas as noites, e acabei obtendo informações que ele retinha, mas mesmo drenando-o sempre, eu fui incapaz de usar sua sapiencinese, que é como ele chama a telecinese que ele usa para fazer lavagem cerebral nas pessoas, ele simplesmente olha para a pessoa e causa alterações químicas e biológicos em seus neurônios, obtendo controle sobre a mente ligada ao corpo, tudo que sei sobre ele, eu roubei diretamente de sua mente. Eu quero que juntos, nós matemos Drachen – Netrom falava com 8 Kinezistas, reunidos em uma sala luxuosa iluminada com tochas, era a sala de estar do palácio do general em Tsuchin, um local ostentador carregado de móveis grandes cheios de grandes livros, coisa que na época era sinônimo de riqueza, pois eram os livros que continham as técnicas necessárias para o desenvolvimento da telecinese. Os kinezistas se vestiam como sempre, vestidos em capas negras, na verdade, não era necessário que todo Kinezista usasse aquele uniforme estranho, mas os sacerdotes e pessoas importantes dentro da igreja precisavam, pois era um modo de se representar os Tenshikyus, os anjos do general Kinesis. A filosofia Kinezista, sem citar a crença em si, pregava a sobrevivência acima de tudo e a utilização da força física para a obtenção dos desejos, no caso, o Império do Medo era exatamente isso, pois o mais forte impunha-se sobre o fraco e o usava para sua própria vantagem, que era como o general Alexander explorava seu povo através do medo para fazer o país se desenvolver e obter o progresso. Acha que o que o general estava fazendo não era realmente bom, queria ver o mundo rolar naturalmente, as pessoas sendo mortas, carregando ódio, tendo medo, vivendo na imperfeição e caos, ele achava que não teria que fazer nenhum plano idiota para dominar outros continentes para isso acontecer, com Drachen morto, tudo voltaria ao normal em questão de tempos, nada mais e nada menos. Mas claro, que a possibilidade de ter carta branca para governar também o atraía. Ele sabia que embora o grande general tivesse controle sobre todo o continente, ele não poderia fazer lavagem cerebral em todas as pessoas, e sua paz absoluta era uma ilusão
Netrom nunca havia sido uma pessoa sentimental, era frio e sem alegria, desde pequeno, talvez tivesse sido esse o motivo para ter sido o último aluno em sua classe, enviado para a pena de morte, ele era uma pessoa totalmente desmotivada, e a falta de motivação para estudar o impedia de ter bons resultados, achava tudo aquilo totalmente inútil e sem sentido, e sua desmotivação era tão grande que chegava ao ponto de não se importar de ser sacrificado a Kinesis, já que a vida não tinha tanta graça. Tinha medo de lobos, tendo um verdadeiro trauma quanto a esses animais, era órfão de irmão mais velho, quanto ele tinha 3 anos, o seu irmão de 10 anos morreu atacado por uma alcatéia dos animais enquanto ia comprar para a feira comprar cenouras, ele não viu a cena, mas ficou sabendo da notícia, fazendo com que e ele e toda a sua família desenvolvesse um ódio e medo mortal contra as feras. Outra coisa importante de se citar, é que a antiga família do antigo Pedro tinha uma criação de ovelhas, o animal mais usado para a produção de carne em Umi, no dia em que foi despertado e mordido por Suyar, sentiu o maior medo de toda a sua vida, mais retomou o controle com as palavras de Alexiel, que ele realmente considerava como um amigo. Mas não se conformava com ter que chamar aqueles animais de irmãos e viver com eles, pra sua sorte, os lobos só conviviam naturalmente entre as pessoas em Hitohell, coisa com a qual não se importava, mas já o deixava com certa antipatia de Drachen. Ele sempre foi frio pra sentimentos, respeitava e admirava as pessoas, mas não gostava e nem se importava com elas, de fato,ele era daquele tipo de pessoa que não se importa com praticamente nada. Depois que se tornou general de Tsuchin, começou a reinar razoavelmente, mas Drachen sempre mantinha fiscalização nas terras de seu companheiro, por isso, Daemon não podia fazer qualquer que quisesse, na verdade, ele basicamente era um cachorro mandado do outro general, tinha que governar o continente à moda Drachenista, mas sem a possibilidade de fazer lavagem cerebral, isso não funcionava bem, e acabava deixando as prisões lotadas, foi nesse governo que a imperfeição de Dracole Drachen foi deixada evidente. Enquanto Umi estava sendo um paraíso terrestre nas mãos hipnóticas de Alexiel, Tsuchin estava um caos, pois Drachen detinha o poder lá também, e tiraria o poder de Daemon caso ele quebrasse sua ordens de não utilizar a morte. Daemon começou a desobedecer as ordens superiores em segredo, criou uma sociedade secreta que ele chamou de “Agnus Daemon”, era um grupo de poderosos TKs de elite a quem ele mesmo treinava para serem capaz de utilizar o vampirismo psíquico, eles eram utilizados para assassinar pessoas em segredo, eles consumiam os corpos de diversos modo, enterravam, queimavam, jogavam em rios, etc e os mortos nunca eram encontrados. A sociedade foi crescendo e mais pessoas foram morrendo, criminosos, opositores ao governo e Kinezistas, no caso do último, eram os que menos morriam, pois a cerimônia Kinezista sempre era feita em locais particulares e era difícil reconhecer um religioso desse apenas pelo rosto, além de qualquer um poder se passar por Drachenista. Mas o que ele mais matava eram criminosos, fingia que haviam fugido da prisão, quando na verdade tinha sido consumidos, um dos métodos que ele mais usava era o de esquartejar os bandidos e colocar na merenda das escolas pública como se fosse carne assada, algo que nunca chegou a ser descoberto, já que os membros que faziam isso eram de alta confiança,mas às vezes os bandidos eram mortos em ação, antes de serem presos, mas sem testemunhas.
Com o grande número de desaparecimentos, Drachen começou a investigar o que estava acontecendo em Tsuchin, embora a comunicação inter-continental fosse muito difícil naquela época, as notícias acabavam chegando de um para o outro, além da capacidade que Drachen tinha de se comunicar telepaticamente mesmo àquela distância, mas claro que seu “amigo” não falava das mortes que causava, por isso ele só ganhou as suspeitas quando os seus fiscais no continente deixaram seus relatórios, outra coisa que acontecia era do general de Tsuchin matar os fiscais que descobria, mas isso não costuma ocorrer, pois eles eram muito bem disfarçados. Daemon acabou recebendo uma mensagem telepaticamente:
“Pedro, meu amigo, fiquei sabendo que algumas pessoas estão desaparecendo em seu continente, mas fiquei muito chateado quando ouvi que 4 dos meus fiscais se perderam e nunca mais foram encontrados. Minha capacidade de intuição me diz que tem algo de errado aí, e que você é o responsável, tendo traído a confiança que tinha em você, então, peço que renuncie e dê o cargo a Fidel, tem um prazo de uma semana, então, por favor faça o que eu digo, senão será guerra, e você sabe que não tem poder para me vencer. Não adianta negar, quando eu tenho intuição de algo, você sabe que é porque ela está certa.”
Daemon desejava impor sua justiça violenta, mas se fosse deposto por Drachen, tudo iria por água abaixo, foi quando ele aumentou a buscar por Kinezistas, e em um dia conseguiu capturar 8 deles, as ordens que deu para o Agnus Daemon foi que capturasse vivos os Kinezistas e levassem até o seu palácio, lá, eles se uniriam para matar Drachen. A ordem foi cumprida, oito kinezistas foram capturados por membros da Agnus Daemon, deixados inconscientes com uma arma que eles chamavam de “dardo do sono”, um dardo com sonífero que apenas os membros da Agnus Daemon e Daemon sabiam fazer. Os oito acordaram no quarto de Netrom Daemon. Todos perguntaram o que estava acontecendo, com medo, surpresos, mas antes que se revoltassem e atacassem o general, foram parados pelas palavras que o grande psyvamp falou sobre o outro general, haviam sido convencidos, não sabiam o que estavam fazendo lá, mas pela lógica, se foram capturados e levados pro palácio do general, mas mantidos desamarrados e sozinhos com o temido Netrom, era por que a intenção dele não era ruim para eles, e mesmo que a intenção fosse ruim, não era bom enfrentar o general, afinal, se os subordinados dele foram capazes de capturá-los facilmente vestidos com as roupas kinezistas no interior de suas casas, imagine o que o general seria capaz de fazer.
- O que quer que façamos? – O mais firme dos Kinezistas teve a iniciativa de perguntar, a partir daí ele acabaria sendo o porta-voz do grupo.
- Quero a ajuda do seu Deus. Como faço para tê-la? Afinal, é para matar nosso maior inimigo em comum, Drachen. – O vampiro psíquico falou sem expressar nada em sua voz.
- A ajuda de Kinesis? Não dá pra simplesmente barganhar assim com ele, mas para matar Drachen, acredito que possa haver outros modos. – O porta-voz estava interessado em matar Alexiel, os Kinezistas odiavam o Drachenismo mais que tudo no mundo, nem se importavam de se unir ao outro inimigo, os Agnus Daemon, que na verdade era bem mais nocivo a eles, mas não havia sido o responsável pela decadência da religião.
- Iremos fazer assim, iremos todos viajar para Umi, lá, vocês lutarão contra Drachen, e enquanto vocês lutam estupidamente com ele, eu o mato. Funcionará assim, meu grandioso vampirismo psíquico me dá um forte poder de atração sobre a energia, isso faz com que eu tenha uma quantidade absurda da mesma, consequentemente fazendo com que eu tenha uma mente perturbada e cheia de informação, mas a partir do momento em que eu consegui controlar isso, tive o controle absoluto de meus próprios pensamentos, antes eu não podia receber uma lavagem cerebral de Drachen porque minha mente sempre mudava, agora que sou desenvolvido, não posso porque tenho total controle sobre minha mente, aura e cérebro. Então vai ser assim, eu vou neutralizar a lavagem cerebral daquele lobo imundo, e vocês acabarão com ele, claro que certamente já terei o matado com meu vampirismo psíquico a essa altura, o pretendido é seqüestrar o filho dele, Amon, nós 9, então obrigaremos o general a ir a um local que mandarmos, onde finalmente, o mataremos! Eu estarei escondido, drenando toda a energia dele, claro que ele pode ler mentes, mas meu controle sobre aura impede que ele consiga penetrar em nossos pensamentos, não explicarei como funciona, mas uma coisa que garanto, ninguém toca na minha cabeça. – Ele não gesticulava, ele não movia os olhos, ele não mudava o tom de voz, ele não demonstrava emoção, o líder dos Agnus Daemon era um homem totalmente controlado, frio e calmo, e logo o seu plano entraria em ação.
Daemon fez uma falsa renúncia para cumprir as ordens que Drachen deu, dando uma suposta trégua, deixando no poder o homem que o hipnotizador gostaria que fosse o líder depois dele, Raul Drachen. A viagem para Umi demorou algumas semanas, nessa altura, Amon Drachen estava trabalhando em uma campanha para desenvolver a região norte do continente, como fazendeiro, empreendedor e delegado. Foi surpreendido por um bombardeio que caiu do céu enquanto dormia, acordando com o teto caindo sobre seu corpo, quebrando muitos ossos e causando muita dor, logo desmaiou, e foi levado para uma caverna, algo bastante comum no norte. Algo muito bem planejado, Amon morava em uma grande fazenda, repleta de bois, ovelhas, galinhas, bodes, e lobos domesticados, que eram treinados para funcionar como “cães de guarda”, mas claro que também havia muitas pessoas trabalhando de noite, e outras de dia naquele local, infelizmente, todos os animais e guardas morreram com a chuva de fogo, uma violenta combinação de telecinese, pyrocinese e aerocinese feita por TKs de elite Kinezistas e da Agnus Daemon, incluindo o segundo mais habilidoso de que se tinha notícia, Netrom, um ataque em grupo que devastou o local, os animais, e o teto da mansão do fazendeiro, já que o bombardeio tinha um alcance bem alto.
Ele foi levado, ferido para a caverna, então o próprio Daemon se comunicou com o velho amigo, com quem desde a época da floresta, podia se comunicar telepaticamente:
Drachen, seqüestrei seu filho Amon, me encontre em uma caverna aqui na cidade de Nordem, na verdade, perto da cidade, estou em uma grande caverna conhecida como “Garganta do Tubarão, me traga 100.000.000 kakarotos, então deixarei que viva, e não esquece, se trouxer uma só pessoa a mais além de você, Amon morre, isso inclui qualquer tipo de operação de busca.
Aquele local era um verdadeiro labirinto escuro, havia uma série de galerias que iam para debaixo da terra, era tudo úmido, existiam estalactites gigantescos por toda parte, cheios de gelo, chão sujo da neve do inverno Tsuchiano, alguns morcegos dormindo, e uma pequena nascente em um dos diversos caminhos daquele labirinto de pedra, que chegava a ser arrepiante. O encontro ocorreria de dia, já que não dava pra ver nada lá de noite, o refém ficou detido no local mais fundo, após uma série de galerias, em um local fundo, escuro e úmido, quando ele gritava por socorro, podia se ouvir seus ecos de uma maneira realmente macabra, gritos cheios de medo, por mais que o filho de Drachen tentasse negar o medo que sentia, ele sempre demonstrava isso quando pedia pra ser libertado ou salvo, sempre mantido com os olhos vendados, e constantemente desmaiado com o dardo do sono, além de ser alimentado com carne crua, não era o melhor tipo de cativeiro. O pai do homem estava desesperado, por mais forte que fosse, não podia aceitar a idéia de ter tido o filho seqüestrado em seu reino de paz, e isso causou a corrupção de seu coração, que pregava o amor e a paz, mas o vampiro traidor seqüestrou seu filho e com certeza estava o atraindo para uma armadilha. Mas como tinha certeza de que perderia o filho caso tentasse mandar qualquer outra pessoa, não ousou nem contar das más novas para ninguém, e ainda temia que alguém entrasse na caverna, pois isso também o mataria, embora ninguém costumasse ir naquela caverna assustadora, a chance disso acontecer ainda era existente e muito perigosa, então foi o mais rápido que pôde, arranjando desculpas (lavagem cerebral) para explicar a viagem com todo aquele dinheiro. Ele tinha certeza de que o dinheiro pedido era apenas uma desculpa, que eles iriam tentar matá-lo, mas tinha um plano, sabia que não poderia fazer lavagem cerebral em Netrom, mas poderia fazer em qualquer outro, acreditava que iria hipnotizar os capangas e usá-los para matar o vilão, mas tinha um plano B, iria matar cada pessoa que visse com a biocinese degenerativa que aprendeu do pai, então conseguiria acabar com todo os bandidos antes que fosse possível matar Amon, um plano quase impossível, mas melhor que a rendição.
“Pedro, seu verme desprezível.”
Após muita viagem, chegou na caverna sozinho, com uma espada na bainha de seu uniforme de general, mas ao contrário do que esperava, não havia ninguém vigiando a entrada, ele foi entrando mais fundo, tentando manter a calma, mas sem conseguir, logo viu três caminhos, realmente, aquilo era um labirinto, havia um “Agnus Daemon” em cada uma, pensou em matá-los, mas ainda não era hora.
- Lorde Daemon está esperando. – O homem falou em alto e bom tom, o eco passou por toda a caverna, cada palavra pronunciada naquele local era espalhada por eco em todos os corredores de pedra, e era exatamente a arma que o traidor tinha.
- Pedras, um bom psyvamp pode fazer qualquer coisa mesmo por aqui, o que Drachen não sabe é o que vai matá-lo, pena que mudei o plano inicial, mas esse é mais bem elaborado. – Pedro podia ouvir tudo que era falado, e seu plano estava traçado, sentado do lado do refém em um canto escuro e úmido sem quase nenhum de luz, estava protegido do que estava por vir. A Garganta do Tubarão estava com o chão totalmente úmido, até a terceira parte da caverna, Daemon estava na quarta e Drachen na primeira, e aquele líquido não era algo realmente bom para o homem.
- Ok. – O general conseguiu passar pelos homens, que abriram o caminho sem fazer nada, e começaram a se mover feito zumbis atrás dele. E assim foi indo, até chegar no terceiro grupo de pessoas vigiando, quando um Agnus Daemon que vigiava de dentro de uma grande rachadura lateral, jogou uma pequena chamada no chão, fazendo tudo pegar fogo, o chão da caverna estava infestado de óleo, e aquilo era uma péssima combinação, pois aquilo virou um verdadeiro forno de pedra, Drachen tentou apagar o fogo com sua hidrocinese (tinha controle médio de praticamente qualquer tipo de telecinese), mas não conseguiu fazer nada, pois enquanto tentava apagar o fogo que fritava seu corpo, teve a cabeça incinerada pelo guardião, morrendo rapidamente.
- Eu matei Drachen! E meu nome é Mamaluigi Daemon! – O homem gritou com toda a alegria, os outros homens estavam distribuídos em partes que não estavam molhadas de óleo. Logo o fogo seria apagado pelos verdadeiros especialistas em hidrocinese nesse grupo. Daemon saiu se seu esconderijo, deixando Amon sozinho lá, matou cada Kinezista que o ajudou com total facilidade e declarou:
- Irmãos, agora o lobo está morto, e agora somos a nova família que reinará sobre essa terra: Da Família Daemon, o clã Daemon!
A partir daquele dia, os Agnus Daemon deixaram de ser uma organização para ser uma verdadeira família, o Agnus foi tirado do nome, e eles passaram a ser chamados de os Daemon, a fiel família de Netrom Daemon. Netrom Daemon e seu clã recuperou o poder de Tsuchin matando o general e todos os seus seguidores, então começou seu Império do Medo, fazendo o continente se desenvolver aceleradamente, ao preço de rios de sangue, já que seu império era feito com total brutalidade e severidade, espalhando o terror entre as pessoas. Amon morreu de fome na caverna, lentamente, Ana se suicidou após saber da morte do marido e do filho. Mas Netrom, mesmo com seus homens altamente capacitados e seu poder incomparável, acabou sendo deposto por uma grande revolta popular bem elaborada, um homem chamado Sabino Sala conseguiu treinar centenas de pessoas com método de selamento do vampirismo psíquico, técnica que impede que uma pessoa use o vampirismo psíquico pelo resto da vida, ou temporariamente, dependendo do poder do alvo e da técnica, no caso de Netrom foi permanente, pois a técnica foi feita em conjunto por uma multidão de TKs bem treinados, ele e seus alunos usaram a técnica em conjunto no general, que teve que fugir para não ser morto, já que não tinha mais a sua maior habilidade. Fugiu para fora do continente com alguns Agnus Daemon que conseguiram sobreviver à revolta popular, conseguindo chegar em Magnekure, continente desconhecido nessa época, onde morreu de velhice, vivendo naturalmente, e sempre acreditando em uma frase que escreveu em sua biografia feita na cidade do exílio, Imperland:
“O mundo não pode ser perfeito, para haver a paz, alguns devem sofrer, e dessa vez eu que fui o escolhido para sofrer.”
Lá, teve vários filhos com a única Agnus Daemon mulher, Adriana Daemon e algumas amantes que conseguiu em Magnekure, os descendentes seriam os novos Daemon no mundo, os homens da família, eram proibidos de dar o nome Daemon para seus filhos, pois o nome do clã deveria ser dado apenas as pessoas que estiveram com o grande psyvamp nos anos dourados e os psyvamps a que ele daria origem, seus descendentes. Com o tempo, o sangue psyvamp foi se espalhando, mas não muito, já que uma relação sexual com vampiro psíquico poderia ser perigosa, basicamente, os descendentes de Netrom foram os únicos psyvamps, e tomaram o costume de casar com primos, meio irmãos ou qualquer parentesco, tirando mãe, pai e irmão, coisa que o próprio criador do clã ensinou em sua biografia, por onde passou seus ensinamentos aos psyvamps que viriam, já que acreditava que a miscigenação de psyvamp com humano comum só poderia prejudicar a raça que ele considerava superior.Eele só não esperava que acabassem se tornando a raça mais odiada do mundo, perseguida e oprimida por todas as religiões do mundo, tirando os Daemonistas, os que seguiam os ensinamentos de Daemon.
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